Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Gisele Flores | 26 de agosto de 2026
Soja, carnes e cereais impulsionam exportações do agronegócio gaúcho, que somaram US$ 3,8 bilhões no 2º trimestre.
Foto: Reprodução./Gisele Flores -IA
O agronegócio do Rio Grande do Sul consolidou sua força internacional no segundo trimestre de 2026, registrando US$ 3,8 bilhões em exportações, o que representa 70,1% das vendas externas do Estado. O avanço de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025 — equivalente a US$ 690,4 milhões adicionais — reforça o protagonismo do setor na economia brasileira e global.
Soja e carnes puxam o crescimento
O complexo soja liderou com folga, alcançando US$ 1,5 bilhão e crescimento de 47,6%, impulsionado por uma safra recorde 34,4% maior que a de 2025. A soja em grão avançou 55,3%, o farelo 33,7% e o óleo 45,9%.
As carnes seguiram como segundo maior destaque, com US$ 771 milhões exportados (+24,7%), puxadas pelo frango (+30,2%), bovina (+26,4%) e pelo surpreendente salto da carne de peru (+322,8%).
O setor de cereais, farinhas e preparações também brilhou, somando US$ 210,3 milhões (+70,8%), com milho e arroz em alta. Já os produtos florestais contribuíram com US$ 293 milhões, consolidando a diversificação da pauta.
Setores em retração
Nem todos acompanharam o ritmo. O fumo e seus derivados recuaram 23,3%, enquanto os biocombustíveis praticamente desapareceram das estatísticas (-99,6%), após a interrupção das vendas de biodiesel para União Europeia e Paraguai. As máquinas e implementos agrícolas também registraram queda de 9,9%, afetadas por menor demanda de tratores e pulverizadores.
Destinos estratégicos
A China manteve a liderança como principal mercado, absorvendo 26,5% das exportações, seguida pela União Europeia (13,5%), Estados Unidos (5%), Vietnã (4,5%) e Índia (4%). Juntos, esses destinos concentraram 53,5% do total.
O avanço chinês foi expressivo: US$ 263,2 milhões adicionais, puxados por soja e carnes. A Índia ampliou sua participação com US$ 92,2 milhões em óleo de soja, enquanto a Coreia do Sul despontou com US$ 89,3 milhões em farelo de soja. Já os EUA e os Emirados Árabes registraram retração, especialmente em fumo e celulose.
Emprego formal
Apesar da performance externa, o mercado de trabalho rural enfrentou ajustes sazonais. Entre abril e junho, o setor perdeu 9.665 postos formais, resultado de 56.455 admissões e 66.120 desligamentos. O movimento reflete a redução natural da mão de obra após a colheita das culturas de verão.
No acumulado do semestre, porém, o saldo foi positivo: 13.503 novos empregos, com o agronegócio encerrando junho com 406.882 vínculos ativos.
Panorama do semestre
De janeiro a junho, as exportações somaram US$ 7 bilhões, equivalentes a 71% das vendas externas do Estado, com crescimento de 8,8% frente a 2025. O resultado confirma a consistência do desempenho e a relevância do setor para o equilíbrio da balança comercial.
A nota técnica do DEE revela um agronegócio resiliente e competitivo, capaz de ampliar mercados mesmo em meio a desafios. A diversificação de destinos, a eficiência produtiva e a força da soja e das carnes consolidam o Rio Grande do Sul como referência nacional em produtividade e inserção global.
O desafio agora é transformar o avanço das exportações em desenvolvimento social e regional, equilibrando ganhos econômicos com geração de emprego e inovação tecnológica. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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