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Saúde Grupos de direitos das mulheres protestam contra os críticos de mulheres que viajam sozinhas

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Movimento de apoio a mulheres que decidem explorar o mundo sem uma companhia pode ser conferido nas redes sociais através da hashtag #viajosozinha. (Crédito: Reprodução)

A notícia de que duas turistas argentinas que viajavam juntas foram mortas no Equador, em fevereiro, provocou uma onda de preconceitos e insinuações de que o pior não teria acontecido se elas não estivessem “sozinhas”, expressão usada como se não houvesse outro modo de descrever uma dupla de mulheres andando pelo mundo sem a companhia de homens.

Nas redes sociais, não foram poucos os comentários que acusavam as vítimas da própria morte. “Claro que deviam estar bêbadas”, “usavam roupas provocativas e foram para um lugar pouco seguro”. Como resposta, houve uma grande mobilização com a hashtag #viajosozinha e #niunamenos (campanha que pede fim da violência contra a mulher).

Os grupos feministas aproveitaram o Dia Internacional das Mulheres, e dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas, marchando para exigir o fim do feminicídio e o esclarecimento do assassinato das duas jovens. “Por elas, por todas, justiça!”, dizia um dos cartazes.

Necessidade de mudança.

O caso de violência contra turistas argentinas, contudo, não intimidou as mulheres, que não deixam de planejar viagens para o futuro.

É o caso de Gabriela Juns, 30 anos, que quer conhecer sozinha a Colômbia neste ano. “É uma questão de perfil. Hoje, estamos vendo um movimento feminista forte, que vai enfrentar [a situação], mas existe a mulher que fica acanhada”, explica.

Michelle, que fez uma viagem para a Bahia, sozinha, e foi intimidada por homens mais de uma vez, sustenta que as turistas precisam ter liberdade para sair por aí, com ou sem companhia. “A gente não pode culpar a mulher pelas ações de terceiros. Vivemos em um mundo em que a mulher é um ser livre e esse é um direito dela. Quem tem de fazer essa mudança são os homens e a sociedade.”

Evelyn Gomes, 28, ficou um mês viajando com duas amigas pela Índia, que já registrou casos de estupro de turistas. “Nos assustaram muito em relação a abuso e vimos uma coisa completamente diferente.” Ela já passou três meses sozinha na Argentina e conheceu Cuba com um grupo de mulheres.


Sem medo.

Amanda Noventa, 33, autora do blog Amanda Viaja, não contabilizou quantas viagens fez sozinha e reitera que é uma incentivadora desse tipo de turismo. “Muita gente não tem companhia, porque as pessoas não têm a mesma agenda ou dinheiro. Mas vamos nos trancar até o dia em que será seguro viajar sozinha? Não podemos ceder.”

Só no ano passado, Amanda passou por sete países e diz que mulheres costumam tomar cuidados a mais. “Mas são os mesmos cuidados que tomaria por não estar em um ambiente que conhece.”

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