Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2026
Investigada por suspeitas de tráfico de influência, a lobista Roberta Luchsinger apresentava o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como seu sócio.
As mensagens contrastam com o depoimento prestado por Roberta à Polícia Federal em maio deste ano, quando ela descreveu a relação com o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma amizade e negou ter feito repasses financeiros a ele.
Oito trocas de mensagens de texto e áudios inéditos obtidos pelo portal Metrópoles mostram Roberta usando o termo “sócio” ao falar de Lulinha com diferentes interlocutores. Os registros, por si só, não comprovam a existência de uma sociedade empresarial formal entre os dois.
Em diferentes conversas de 2024, Roberta Luchsinger chamou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de “sócio”. Em junho, disse a uma interlocutora que estava acompanhada dele e da família e, na mesma conversa, esclareceu que se referia ao filho do presidente Lula.
A mais recente delas é de 25 de junho de 2024. Luchsinger conversa com um contato salvo como “Adelaida Borg – Gerente Le Bristol”. Pelo contexto do diálogo, parece tratar-se do hotel de luxo Le Bristol, em Paris, localizado na Rue du Faubourg Saint-Honoré.
“Que pena! Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos mta compra e adoraria ter lhe encontrado”, diz.
Em conversa do dia 13 de maio de 2024, Roberta diz a um contato salvo como “Alexandre Rodrigues” que tem ficado entre terça e quinta em Brasília, “com o meu sócio q é filho do pr”. A sigla é comumente usada na política para se referir ao presidente da República.
Para o contato “Ana Carolina Alencar”, ela encaminha mensagem de Lulinha e pede: “Mostra (a) Marcelo a mensagem do meu sócio, Fábio”. A mensagem foi enviada em 3 de março de 2024.
Em áudio para um contato salvo como “Ana Carolina Melchert”, Luchsinger compartilha detalhes de sua agenda e diz: “E o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona. E aí eu tenho que correr com as coisas, né?”. A mensagem é do dia 22 de fevereiro de 2024.
Em conversa com uma amiga, Luchsinger diz, em 28 de janeiro de 2024: “Querida, estou indo dia 5 de fevereiro para Genebra com as filhas. Conosco irão Fábio (meu sócio) filho do presidente Lula com a esposa e filhos”. O parêntese está na mensagem original de Roberta.
Em áudio para um contato salvo como “Rose Amorim”, Roberta Luchsinger se refere a Fábio Luís como “sócio” ao contar uma história sobre Fernando Bittar. “Lembra do Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente?”, pergunta. O áudio foi enviado no dia 10 de janeiro de 2024.
Inquéritos
Atualmente, fatos relacionados a Lulinha e Roberta Luchsinger são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O principal deles, com as apurações mais avançadas, diz respeito às suspeitas de que Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, teriam praticado tráfico de influência no Ministério da Saúde (MS) para vender fármacos derivados de maconha, como o CBD.
Além da relação com Roberta, Lulinha atuou em conjunto com o Careca do INSS na empresa de maconha medicinal Cannabis World. Como mostrou a coluna, os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde Lulinha vive desde meados do ano passado.
Outro inquérito diz respeito a pagamentos que teriam sido feitos por Roberta Luchsinger a pessoas do entorno do presidente Lula, como o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Uma terceira apuração gira em torno de possível tráfico de influência na Dataprev, empresa pública de processamento de dados. (As informações são do portal Metrópoles)
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