Sábado, 19 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de setembro de 2026
O presidente Lula (PT) disse nessa sexta-feira (18) que a crise causada pelo escândalo do Banco Master no STF (Supremo Tribunal Federal) respinga na reta final da eleição e que o culpado pela fraude financeira é o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista disputa a reeleição e tem como principal adversário o filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Lula teve proximidade com o STF ao longo do atual mandato, incluindo com o ministro Alexandre de Moraes, o principal atingido pelo escândalo. O presidente tem sofrido desgaste político com a crise, apesar de não estar citado no caso Master.
Lula fez as declarações em entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Ele foi questionado pela entrevistadora se a situação envolvendo a Suprema Corte e o Banco Master respinga na eleição.
“Acho que vai respingar na reta final. O que nós queremos mostrar é quem é culpado disso. O culpado disso chama-se Bolsonaro. Esse banco não existia. Foi criado pelo Banco Central no governo Bolsonaro. Essa corrupção aconteceu no governo Bolsonaro. E estamos investigando com muita paciência”, afirmou.
Ele disse que o caso Master “contamina tudo” e que fica preocupado porque será necessário discutir como superar a crise causada, principalmente na Suprema Corte. “É preciso ter uma reforma no Poder Judiciário, mas antes de fazer essa reforma a gente tem de resolver esse problema. Está todo mundo ali, tem cinco ministros que estão ligados direta ou indiretamente”, declarou.
Lula disse ver com tristeza o fato de o tema do Master estar dominando o debate público durante o processo eleitoral. “A sociedade não pode aceitar isso como norma.”
O chefe do governo voltou a dizer que Moraes teve papel importante nas eleições de 2022 e na defesa da democracia, referindo-se ao processo da trama golpista que culminou na prisão de Bolsonaro, mas demarcou uma crítica.
“Ninguém está defendendo o contrato que Alexandre de Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master. O que estamos defendendo é que quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico. Ali é um sacerdócio”, afirmou o petista.
Moraes teria sido consultado por Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, se deveria fugir do país para não ser preso —a troca de mensagens ocorreu poucos dias antes da detenção de Vorcaro. Além disso, o ministro editou um contrato de R$ 131 milhões do escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci, com o Master. A família de Toffoli, por sua vez, teve empresas associadas a uma rede fraudulenta de fundos de investimento do Master.
Lula também afirmou que Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro em sua gestão. E mencionou uma conversa que teve com o pivô do escândalo financeiro.
“Esse Vorcaro me procurou um dia, numa conversa de 20 minutos. ‘Porque estão me prejudicando, meu banco está quebrando, estou sendo perseguido’. Eu falei: ‘Aqui ninguém é perseguido. Vamos investigar, se você estiver com o banco correto, seu banco não vai fechar. Mas se não estiver, vai fechar’. E fechamos, porque não estava correto”, disse Lula.
“Ele (Vorcaro) corrompeu todo mundo. Ele patrocinava orgia, trazia mulheres da Suécia, da Suíça, não sei da onde, para os bacanas brasileiros que gostam dessas coisas. Envolveu gente da Suprema Corte, envolveu senador, envolveu deputado. Envolveu todo mundo”, afirmou o presidente.
O petista também criticou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça por, em suas palavras, ter segurado informações sobre o caso Master. Mendonça foi indicado ao Supremo por Bolsonaro, e se tornou relator dos casos Master e dos desvios no INSS. O petista disse acreditar que novas informações vão aparecer agora que mais ministros do Supremo têm acesso a elas.
“Agora é só começar a mostrar as informações. Tem muita gente com medo na República. Era orgia e mais orgia. Era uma sacanagem que é impensável para um cidadão comum acreditar que as pessoas que têm a obrigação e responsabilidade de zelar por esse país faziam aquilo”, declarou o petista.
Lula também fez uma referência indireta ao ministro Kassio Nunes Marques. De acordo com reportagem do portal Metrópoles, uma conversa de Vorcaro indica cobrança de R$ 10 mil por um encontro de uma mulher com “Kassio”, que seria o ministro do STF.
“Saiu até uma matéria de um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil. Ainda ele não pagou, mandou o banco pagar. Só faltou tentar entrar no Desenrola para pagar a dívida dele. Essa baixaria tem que acabar na política”, disse o presidente da República.
Além disso, Lula usou a entrevista para buscar vincular a imagem da família Bolsonaro à de milicianos.
“Tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos aqui do Rio de Janeiro. E na hora que você começa a analisar a situação do Rio de Janeiro você vai perceber que tem muita gente da família Bolsonaro metida com os milicianos nesse país. É preciso limpar a política, esse é um trabalho árduo”, declarou o presidente. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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