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Saúde Tumor em jovens cresce e desafia diagnóstico e prevenção

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O câncer deixou de ser uma doença associada apenas ao envelhecimento e já atinge adolescentes e adultos jovens. (Foto: Reprodução)

O câncer deixou de ser uma doença associada apenas ao envelhecimento e já atinge adolescentes e adultos jovens, o que impõe novos desafios para prevenção e diagnóstico. A dificuldade de reconhecer sintomas nesta faixa etária, a baixa adesão a medidas preventivas e as desigualdades de acesso foram alguns dos pontos discutidos recentemente em São Paulo, durante o painel “Como garantir o diagnóstico precoce do câncer em populações jovens”, da 6ª edição do Retratos do Câncer, fórum realizado pelo Estadão Blue Studio.

“O principal objetivo é a cura. E hoje, a principal ferramenta para a cura continua sendo o diagnóstico precoce”, afirmou o oncologista Túlio Pfiffer, do Hospital Sírio-Libanês.

A conversa também contou com a oncologista clínica Angélica Nogueira, presidente de honra da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); Ariel Kann, coordenador do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; e Maria Paula Curado, chefe de Epidemiologia e Estatística do A.C. Camargo Cancer Center. Segundo Pfiffer, dados mais robustos dos Estados Unidos apontam aumento da incidência de pelo menos 14 tipos de câncer entre pessoas mais jovens, incluindo tumores de intestino e mama, além de melanoma, pâncreas e estômago.

No Brasil, ele afirmou que, embora estudos regionais apontem na mesma direção, ainda faltam dados epidemiológicos nacionais que sejam suficientemente detalhados para compreender a dimensão do fenômeno entre pessoas com menos de 40 anos. O câncer colorretal foi um dos exemplos discutidos ao longo do evento.

De acordo com Pfiffer, entre 10% e 15% dos tumores de intestino estão relacionados a doenças hereditárias, mas o crescimento dos casos entre pessoas com menos de 50 anos é superior ao que poderia ser explicado apenas pela predisposição genética.

Para o especialista, contudo, o aumento dos casos não significa necessariamente uma recomendação de antecipar o rastreamento para toda a população. A colonoscopia, por exemplo, é indicada para pessoas sem sintomas ou fatores de risco a partir dos 45 anos. O desafio, disse, está em reconhecer quando um paciente mais jovem precisa ser investigado. “Uma das grandes dificuldades em fazer diagnóstico de câncer em pacientes jovens é que nem o paciente nem o médico acreditam que ele possa ter câncer”, afirmou.

A mesma lógica aparece no câncer de testículo. Ariel Kann destacou que a doença tem altas taxas de cura, inclusive em casos avançados, mas que o diagnóstico precoce permite reduzir a intensidade do tratamento e possíveis sequelas.

Segundo ele, o tabu em torno da saúde masculina pode contribuir para o atraso na busca por atendimento. “O homem só vai ao médico quando está muito doente”, disse. Por isso, defendeu que a educação para a saúde precisa começar cedo, inclusive ensinando os adolescentes a conhecer o próprio corpo.

Se alguns tipos de câncer exigem atenção maior aos sintomas, outros podem ser amplamente prevenidos. É o caso do câncer do colo do útero. Segundo Angélica, a idade média das mulheres diagnosticadas com esse tipo de câncer é de 45 anos, com uma parcela importante dos casos ocorrendo antes da menopausa. A principal ferramenta de prevenção é a vacina contra o HPV, capaz de prevenir não apenas o câncer do colo do útero como também tumores de pênis, canal anal, vulva, vagina e orofaringe.

Apesar disso, a cobertura vacinal brasileira ainda está abaixo do necessário para que o País alcance a eliminação da doença. De acordo com Angélica, a cobertura gira atualmente em torno de 70% a 75% entre meninas e de 50% entre meninos. Para ela, uma das estratégias para ampliar a vacinação é levar o imunizante novamente para as escolas, como ocorreu no início da campanha brasileira contra o HPV.

Outro ponto discutido foi o avanço dos cigarros eletrônicos entre os jovens, os famosos vapes. Maria Paula Curado ressaltou que ainda não há tempo suficiente de acompanhamento para conhecer completamente os efeitos de longo prazo dos produtos, mas afirmou que o cenário exige atenção. “Quando a gente é jovem, a gente quer sempre experimentar o novo e essas são novas tentativas da indústria de influenciar no comportamento, usando substâncias, com o potinho misturado com o sabor. Tudo isso influencia as novas gerações e o risco nós não sabemos completamente.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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