Sábado, 26 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de setembro de 2026
A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho considerou, nessa quinta-feira (24), não abusiva a greve nacional dos trabalhadores dos Correios, iniciada em 10 de setembro. A decisão manteve a data-base da categoria em 1º de agosto de 2026, concedeu reajuste de 4,09% sobre os valores dos salários na data-base e determinou o retorno imediato ao trabalho a partir desta sexta-feira (25).
O processo foi ajuizado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que pediu que a greve fosse considerada abusiva. Segundo a empresa, as negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 ainda estavam em andamento quando os trabalhadores decidiram iniciar a paralisação.
Os Correios também alegam descumprimento de uma decisão liminar que havia estabelecido regras mínimas para a manutenção dos serviços durante a greve.
Ao analisar o caso, a desembargadora convocada Maria de Nazaré Rocha, relatora do dissídio coletivo de greve, observou que tanto os trabalhadores quanto a empresa realizaram diversas reuniões e apresentaram propostas e contrapropostas durante o processo de negociação coletiva. Ressaltou ainda que as tratativas foram acompanhadas pela Vice-Presidência do TST, por meio de procedimento de mediação.
Para a magistrada, ficou demonstrado que houve tentativa direta e pacífica de solucionar o conflito, mas a negociação terminou sem consenso sobre temas considerados relevantes para os trabalhadores e para a empresa.
Em relação à abusividade, ficou vencida a ministra Maria Cristina Peduzzi e os ministros Ives Gandra Martins Filho e Guilherme Caputo Bastos.
Reajuste salarial
Por maioria, ficou decidido que os Correios concederão, a partir de 1ª de agosto de 2026, um reajuste de reajuste salarial de 4,09% sobre os valores referentes àquela data, com repercussão nas demais parcelas de natureza salarial.
Entre os benefícios atrelados ao reajuste foram também atualizados o auxílio para empregados e dependentes com deficiência, o reembolso-creche e reembolso-babá, o vale-refeição/alimentação e o vale-transporte. O índice de 4,09% incide sobre os valores anteriormente praticados.
Plano de saúde
A ECT não será mais a empresa mantenedora do plano de saúde. Os Correios oferecerão um subsídio empresarial ao disponibilizar aos empregados o Benefício de Assistência à Saúde, de adesão facultativa, conforme as condições estabelecidas no respectivo regulamento. Até a implementação do novo modelo, vale o atual Plano Correios Saúde II.
Compensação
A decisão autoriza, excepcionalmente, a compensação dos dias parados, por meio de mutirões de trabalho em finais de semana, a fim de escoar o passivo logístico represado. Segundo a relatora, as peculiaridades da atividade admitem abrir uma exceção à regra geral de desconto dos dias de paralisação.
A desembargadora assinalou que a própria empresa mencionou a carga acumulada na rede, o descumprimento dos prazos contratados e o afunilamento dos gargalos para a distribuição de encomendas, o que exige, nas palavras da ECT, “esforço extraordinário durante período prolongado para regularizar o serviço”. Nesse contexto, a compensação se torna relevante para sanear o problema e normalizar o atendimento à sociedade, sobretudo considerando o período eleitoral e a proximidade das eleições gerais. As informações são do TST.
Correios no RS
O Sintect-RS (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul) informou que, em decisão tomada em assembleia, aprovou o retorno ao trabalho a partir das 23h dessa quinta-feira (24). “Encerramos mais uma greve com a cabeça erguida e com a certeza de que a categoria fez a sua parte. Foram dias de mobilização, resistência e enfrentamento. Aprovamos também uma Moção de Repúdio ao Governo Lula, ao presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, à direção da empresa e à decisão do TST. O Tribunal reconheceu que a greve não foi abusiva, mas determinou a compensação dos dias parados e, ao mesmo tempo, acolheu integralmente a contraproposta dos Correios, com retirada de direitos da categoria e ataque aos sindicatos. Não concordamos com esse resultado e vamos continuar enfrentando seus efeitos. Parabéns a cada trabalhador e trabalhadora que esteve na luta! Cada presença, cada ato e cada dia de greve fizeram parte dessa construção. Agora não temos tempo para lamentar as perdas. O plano de reestruturação dos Correios continua em curso e, é contra ele, que precisamos concentrar nossas forças. A greve termina hoje. Nossa disposição de luta continua amanhã”, informou o sindicato. As informações são do TST e do Sintect-RS.
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