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Economia Banco Master: Vorcaro fez pagamentos a irmão de mais um funcionário do Banco Central, mostram mensagens

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Investigadores suspeitam que a operação era uma tentativa de esconder as fraudes que teriam sido cometidas pelo banco e pelos ex-executivos do BRB. (Foto: Reprodução)

Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o Banco Master fez pagamentos ao irmão de um funcionário do Banco Central em 2025, que não foi alvo das investigações.

Em uma mensagem enviada a Vorcaro em 6 de agosto de 2025, o então assessor jurídico do Master, Luiz Rennó, manda umalista com cinco nomes e valores de pagamentos que deveriam ser feitos pelo banco. Na lista, consta o nome da LR Consultoria e o valor a receber de R$ 120 mil. A empresa pertence a Leonardo Eyer Harris,irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do diretor de regulação do sistema financeiro do Banco Central, Gilneu Francisco Astolfi Vivan.

A LR Consultoria foi aberta em março de 2024 com capital social de R$ 1 mil. Documento obtido pela Folha de S.Paulo  em abril, entregue pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, mostra que a empresa recebeu ao todo R$ 720 mil do Master no ano passado.

Procurado, Leonardo afirmou que a LR foi contratada pelo Master para consultoria sobre mineração porcerca de seis meses, entre março e setembro de 2025, sem qualquer relação com o trabalho do irmão no Banco Central.

Também afirmou que o parentesco não foi informado ao Master porque, segundo ele, não havia correlação com aconsultoria prestada. Leonardo disse que avisou o irmão sobre o contrato por, segundo ele, zelo adicional.

Ricardo disse ter informado a alta administração da autarquia do contrato do irmão e negou participação direta ou indiretaem decisões relacionadas ao Banco Master. O BC não quis se manifestar.

Em entrevista a jornalistas, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que o servidor comunicou aseus superiores diretos a consultoria prestada por seu irmão a Vorcaro na área de mineração e defendeu a presunção deinocência.

“Sou testemunha de que o Harris tem um comportamento aqui no Banco Central ao longo de todo esse período que, demaneira nenhuma, eu posso levantar nada relativo à questão do Master contra o Harris”, afirmou.

“Existem processos internos, o Harris tem de ter toda a oportunidade para ele esclarecer tudo o que ele quiser esclarecerdentro das instituições internas do Banco Central e para a imprensa. A ordem correta das coisas é: todo mundo é inocenteaté que se prove o contrário.”

Dois funcionários do Banco Central já são investigados no caso Master: o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves deSouza e o ex-chefe do departamento de supervisão bancária Belline Santana. Eles foram afastados dos cargos por Galípolo.

A PF identificou trocas de mensagens em que os executivos auxiliavam Vorcaro a conduzir diálogos com o BC e passavam informações sobre como evitar a fiscalização. Os investigadores também localizaram pagamentos a Belline e a Paulo Sérgio, entre os quais gastos com viagens.

A mensagem foi trocada no momento em que Vorcaro buscava a aprovação da autoridade monetária para a venda do Master ao BRB (Banco de Brasília). Investigadores suspeitam que a operação era uma tentativa de esconder as fraudes que teriam sido cometidas pelo banco e pelos ex-executivos do BRB.

Para Galípolo, os dois episódios não devem ser misturados. “O caso dele (Harris) é bastante distinto dos (casos dos) outros servidores do Banco Central”, reforçou.

Segundo mensagens extraídas do celular de Vorcaro, o texto dizia: “Lewandowski – 266.382,54; Consult Inteligência – 500.000,00; Guido Mantega (Pollaris) – 1.000.000,00; LR Consultoria – 120.000,00; Gustavo Loyola – 250.000,00”.

Em 3 de setembro, cerca de um mês após a mensagem, o BC anunciou o veto à operação. O Master seria liquidado dois meses depois, em 18 de novembro.

Dois dias depois da mensagem em que a LR é citada, Rennó escreve novamente a Vorcaro e afirma que, “dos pagamentos essenciais está faltando a Consult”. Rennó envia também o contato do advogado Kevin Marques, filho do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, e diz que era o único “dele” que faltava, como revelou a coluna Mônica Bergamo.

Kevin diz que não trabalhou para o Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. O advogado, segundo a assessoria, ganhou R$ 281 mil da Consult Inteligência Tributária, empresa para a qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.

Além da LR e da Consult, as outras três pessoas físicas e jurídicas mencionadas na mensagem para Vorcaro receberam pagamentos do Banco Master: a Lewandowski Advocacia, escritório tem como sócios um filho e a mulher de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo e da Justiça; a Pollaris Consultoria, empresa do ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Guido Mantega; e a Gustavo Loyola Consultoria, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola.

Rennó afirmou não ter conhecimento sobre a LR Consultoria. “Esclareço que, na condição de assessor jurídico relativo a temas trabalhistas e societários, eu não detinha poderes para efetuar pagamentos e ou autorizá-los”, disse. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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