Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de setembro de 2026
Dirigentes de alguns clubes brasileiros intensificaram a movimentação na noite de segunda-feira (28), para tentar reverter ou minimizar a decisão do governo federal de proibir as bets, principais patrocinadoras do futebol brasileiro na atualidade. E, na pauta, apareceu uma possibilidade extrema: paralisar o Campeonato Brasileiro.
Segundo informações da coluna de Marcel Rizzo, do jornal O Estado de S. Paulo, a possibilidade passou a ser debatida em conversas telefônicas e por mensagens durante a articulação entre os cartolas para boicotar a reunião com integrantes do governo agendada para essa terça-feira (29). O encontro foi cancelado depois que boa parte dos presidentes avisou que não iria.
A ameaça de não entrar em campo pelo Brasileirão tem dois alvos. O primeiro é pressionar o governo a ir além do plano apresentado até agora: uma linha de crédito a juros baixos, que já vinha sendo negociada antes do anúncio do fim dos sites de apostas. Os clubes querem, no mínimo, um prazo de transição para o fim da publicidade das empresas, entre seis meses e um ano.
O segundo é fazer com que a CBF, que até agora estava parada em relação ao assunto, entrasse na conversa para ajudar na pressão sobre o governo. E isso parece ter funcionado, já que uma paralisação do Brasileirão neste momento afetaria todo o calendário apertado do futebol nacional até dezembro.
Nessa terça-feira, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com um pedido no STF para participar do processo aberto pelas bets, que questionam a medida provisória que proibiu as empresas no país. O Sinafut, que representa clubes e federações, tem forte influência da CBF, o que já foi visto por alguns dirigentes como a entrada da confederação no assunto.
O boicote à reunião do governo teve apoio até de clubes mais alinhados com o Planalto, como o Corinthians, que encabeça as negociações pela linha de crédito a juros baixos para o pagamento de dívidas e está em tratativas com a Caixa para quitar o financiamento da construção de seu estádio em Itaquera.
O cancelamento do encontro não pôs fim ao plano de ajuda com o novo modelo de empréstimo, mas os clubes querem fôlego para encerrar os contratos com as bets. Muitos ainda têm valores a receber em 2026 para fechar as contas da temporada e argumentam que o orçamento de 2027 também será afetado, já que a previsão contava com esse dinheiro.
Flamengo se antecipa
O Flamengo se antecipou ao movimento conjunto dos clubes do futebol brasileiro e entrou nesta terça-feira com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para participar da ação que questiona a medida provisória que proíbe as bets no país, anunciada pelo presidente Lula na última sexta-feira.
O clube pediu ao ministro Luiz Fux, relator do processo, para participar como parte interessada e que sua manifestação seja considerada já na análise do pedido de suspensão da MP.
Desde a assinatura da medida, o presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, tem dado declarações criticando à decisão do governo federal.
Na petição, o clube argumenta que a proibição tem impacto direto sobre o financiamento do esporte e cita o contrato de patrocínio máster com a Betano, de cerca de R$ 268,5 milhões por temporada e válido até o fim de 2028. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.
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