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Política Transparência Internacional cobra de Flávio Bolsonaro explicação sobre faturamento de R$ 13,7 milhões de seu escritório de advocacia

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Faturamento milionário aconteceu enquanto Flávio exercia mandato de senador. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A ONG Transparência Internacional-Brasil cobrou que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) explique como seu escritório de advocacia faturou ao menos R$ 13,7 milhões enquanto ele exercia o mandato de senador. A informação foi revelada pelo UOL, que analisou 62 notas fiscais emitidas entre janeiro de 2023 e julho de 2026, e confirmada pelo O Globo.

Em publicação nas redes sociais, a entidade questionou como o escritório conseguiu contratos de valores elevados em pouco tempo, como prestou os serviços sem outros advogados ou funcionários e por que funciona na residência do senador, em Brasília.

A ONG também perguntou por que a administradora do escritório é irmã de um contador investigado e preso no esquema de fraudes do INSS e qual é a relação financeira de Flávio com o advogado Willer Tomaz.

Segundo o UOL, as notas fiscais indicam pagamentos em contas mantidas no Santander e no Banco de Brasília (BRB). Uma conta do Santander seria vinculada a Flávio e Tomaz, segundo a Polícia Federal (PF). Ambos negam ter compartilhado uma conta bancária.

Tomaz é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas. A apuração tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e também investiga uma possível participação de Flávio. Tomaz ainda é investigado por suspeitas de envolvimento nas fraudes do INSS.

A Transparência Internacional afirmou que contratos advocatícios fictícios ou superfaturados podem ser usados para ocultar a origem de recursos ilícitos e cobrou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a adoção de medidas de prevenção à lavagem de dinheiro na advocacia.

Maior cliente

Levantamento do UOL identificou o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados como o maior cliente da banca de Flávio entre os identificados nas notas fiscais. A empresa tem como sócio Edvaldo Nilo de Almeida, nomeado por Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022.

O escritório emitiu duas notas de R$ 2 milhões cada, em agosto e outubro de 2025, que somam 29% do faturamento documentado da banca do senador. Os documentos descrevem os serviços como “assessoria jurídica”, sem detalhar os trabalhos realizados.

Ao O Globo, o escritório de Flávio afirmou que os pagamentos decorreram de contrato firmado em abril de 2025 e corresponderam a serviços advocatícios prestados conjuntamente a clientes privados. Afirmou ainda que não houve envolvimento de recursos públicos e que a relação contratual foi encerrada após os pagamentos.

Atuação na Justiça

O Globo identificou ao menos 18 processos em que o escritório de Flávio aparece como parte, nas áreas criminal, civil e empresarial. A legislação permite que parlamentares exerçam a advocacia, mas proíbe a atuação em processos contra a União e determinados órgãos e entidades públicas.

Em um dos casos, Flávio atua com Willer Tomaz na defesa de um sócio de uma fábrica de doces que tenta impedir a execução de R$ 159 milhões em bens e contas da empresa, em uma disputa judicial que se arrasta há mais de 20 anos.

Em 2025, o senador também apresentou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de habeas corpus para encerrar uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, acusado de comandar um esquema bilionário de captação de criptoativos. Ele nega irregularidades.

Outro processo envolveu uma disputa com um ex-sócio de uma loja de chocolates no Rio de Janeiro. Flávio pediu prestação de contas após ser cobrado por uma dívida de R$ 1,5 milhão, mas a solicitação foi negada em dezembro de 2023. O estabelecimento também foi investigado em um caso de suposta rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), cuja denúncia foi posteriormente anulada pelas instâncias superiores.

Registros da Receita Federal mostram que o escritório é administrado por Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso sob suspeita de participação nas fraudes do INSS. Segundo a PF, o escritório contábil de Alexandre prestava serviços a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A defesa afirmou que ele exerce sua profissão sem participar de ilícitos. (Com informações do jornal O Globo)

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