Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2016
O senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) se internou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para passar por duas cirurgias, uma para retirada da vesícula e outra para remover pólipos intestinais, segundo informou a assessoria do parlamentar.
Por causa das cirurgias, Delcídio entrou com nova licença médica do Senado por mais dez dias. A atual licença dele terminaria na próxima quarta-feira (6). Ainda não há previsão de quando o senador receberá alta do hospital.
Delcídio foi preso em novembro do ano passado, pela Lava-jato, por suspeita de atrapalhar as investigações. Ele saiu da prisão depois de 87 dias e, desde então, não voltou ao Senado e tem apresentado sucessivos pedidos de licença por motivos de saúde.
Um depoimento do senador, no Conselho de Ética do Senado, estava marcada para quinta-feira (7).
Esta já é a segunda tentativa de ouvir o senador. A primeira reunião para o depoimento tinha sido marcada dia 23 de março. Na ocasião, Delcídio também não compareceu por estar afastado por licença médica.
Investigações
O ex-líder do governo responde a representação, no Conselho de Ética, por quebra de decoro parlamentar.
Em gravação, obtida pela Polícia Federal, o senador aparece oferecendo um plano de fuga para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Em troca, Delcídio queria que Cerveró não o citasse em acordo de delação premiada. No áudio, Delcídio também diz que conversaria com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que fosse concedido um habeas corpus para Cerveró.
A defesa de Delcídio no Conselho de Ética alega que o senador não estava atuando como parlamentar no momento da gravação e que a possível conversa com ministros era “simples” bravata.
O relator da representação em desfavor de Delcídio, Telmário Mota (PDT-RR), considerou as justificativas “fracas” e recomendou a continuação do processo que cassa o mandato do senador. O relatório foi aprovado por unanimidade pelo colegiado.
Delação
Em março, o Ministério Público Federal tornou pública a delação premiada de Delcídio do Amaral.
No depoimento, o ex-líder do governo no Senado faz uma série de acusações que envolvem desde os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respectivamente, até ministros de Estado, como Aloizio Mercadante (Educação) e José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União).
Na delação, Delcídio também diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia dos esquemas de corrupção na Petrobras e que a presidenta Dilma Rousseff atuou junto a ministros do STJ para que estes agissem em favor de acusados na operação Lava-Jato.
Após fechar o acordo de delação premiada, Delcídio deixou a prisão depois de 87 dias com restrição de liberdade. Desde então, Delcídio deve ficar recolhido em casa no período noturno. O senador ainda não retornou ao Senado. (AG)
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