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Colunistas Dia do Oficial da Reserva do Exército Brasileiro

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Ser um Oficial da Reserva do Exército Brasileiro — o eterno “Oficial R/2” — é carregar na alma a síntese perfeita entre o cidadão e o soldado. No dia 04 de novembro, data em que celebramos o nascimento do nosso patrono, o Tem Cel Art Luis de Araújo Correia Lima, somos convidados a refletir sobre o impacto da sua visão profética de 1927. Ao idealizar o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), Correia Lima não apenas supriu uma lacuna estratégica de mobilização para a Força Terrestre; ele criou uma das pontes mais sólidas, dinâmicas e perenes entre a sociedade civil e as Forças Armadas.

Para o Exército Brasileiro, a importância do oficial temporário é indiscutível e imediata. Representamos o dinamismo e a capacidade de pronta resposta. Ao ingressarmos nas fileiras do Exército, trazemos a oxigenação da juventude e a pluralidade do meio acadêmico, transformando-nos rapidamente em líderes de pequenas frações. Ocupamos funções subalternas de comando com dedicação e profissionalismo, permitindo que a instituição mantenha sua operacionalidade e flexibilidade logística sem sobrecarregar os quadros de carreira. Somos a garantia de que, se a Pátria exigir uma mobilização em massa, haverá líderes capacitados, instruídos e prontos para conduzir nossos soldados com técnica e coragem.

Contudo, é no retorno à vida civil que a verdadeira magnitude do Oficial R/2 se revela em sua plenitude para a sociedade.

Uma vez cruzados os portões do quartel de volta ao mundo corporativo, acadêmico e social, despimos a farda verde oliva fisicamente, mas a mantemos na alma, na alma de soldado; mudamos de trincheira. Tornamo-nos advogados, engenheiros, médicos, professores, empresários e gestores públicos. Mas, acima de tudo, tornamo-nos embaixadores dos valores militares na vida civil. Em um mundo frequentemente marcado pela liquidez das relações e pela crise de referenciais éticos, o Oficial R/2 atua como uma bússola moral em sua comunidade.

Nossa responsabilidade social é imensa. Cabe a nós, que vivenciamos o rigor do dever e a beleza da camaradagem, a missão de divulgar os valores éticos e morais da nossa nacionalidade. O patriotismo, o culto aos símbolos nacionais, o respeito à hierarquia legítima, a probidade e o espírito de corpo não devem ficar restritos aos quartéis. Eles são ferramentas fundamentais para a construção de uma cidadania forte e consciente. Quando atuamos com retidão em nossas profissões civis, quando exigimos e praticamos a honestidade, estamos, na verdade, materializando o juramento que fizemos perante a Bandeira Nacional.

O Oficial R/2 é o elo que desmistifica e aproxima. Por estarmos inseridos no cotidiano das cidades, das empresas e das universidades, temos a capacidade única de traduzir o papel constitucional e social do Exército para aqueles que não o conhecem. Combatemos a desinformação demonstrando, por meio do nosso próprio exemplo, que a caserna é uma escola de civismo, liderança e responsabilidade social. Mostramos que o amor ao Brasil não é uma ideia abstrata, mas uma prática diária de entrega e busca pelo bem comum.

Celebrar o 04 de novembro é, portanto, renovar um compromisso que não tem data de validade. O Ten Cel Correia Lima plantou uma semente que hoje frutifica em milhares de cidadãos que sabem o preço da liberdade e o valor da disciplina. Se ontem vestíamos o verde-oliva na linha de frente da instrução militar, hoje vestimos o terno, o jaleco, a toga ou o macacão de trabalho na linha de frente do desenvolvimento nacional.

Do quartel levamos a liderança; da vida civil trazemos a pluralidade. Unidos sob o mesmo ideal, os Oficiais da Reserva continuam marchando firmes, conscientes de que sua missão atual é erguer as colunas morais do país. Em cada gesto de integridade, em cada palavra de incentivo ao civismo e em cada atitude de liderança comunitária, o Oficial R/2 reafirma o seu papel insubstituível. Somos, ontem, hoje e sempre, uma reserva altiva e vigilante, trabalhando incansavelmente em prol de um Brasil forte, justo e soberano.

Reserva Ativa, BRASIL!

Júlio Cesar Hilzendeger
2º Tem R/2 Inf 1975
Antigo Presidente da AOR/2 – RS
Consultor e Professor

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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