Quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Armando Burd Jogando palavreado fora

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Os argumentos expostos ontem, na reunião da Comissão Especial do Impeachment do Senado, não vão alterar os votos, porque a maioria está definida e não voltará atrás. Como o pano do palco estava aberto, viu-se  de tudo: vozes estridentes e um estado de alteração nervosa, além de um festival de obstruções.

Como haverá continuidade, as transmissões por TV precisam acrescentar uma tarja: não é recomendada para jovens em formação.

Os que assistirão só vão reforçar o conceito de que a Política é uma manifestação de grosserias e baixo nível.

O bate-boca não leva a nada, excetuando a chance que alguns aguardam para aparecer na vitrine da pseudofama.

NÃO PASSA

O vice-presidente Michel Temer propõe o fim da reeleição para demonstrar que rejeita a hipótese de se perpetuar no poder. Enfrentará obstáculo na Câmara, porque os deputados não querem contrariar interesses de governadores pretendentes ao segundo mandato e aos quais se subordinam.

TEM UMA COURAÇA

O PT estuda gratificar o autor de uma hipótese que fulmine o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.  Não adiantaram os ataques de mais de 100 deputados, dizendo que é “corrupto, gângster, bandido” entre outros xingamentos.

FECHOU A PORTEIRA

As pedaladas fiscais eram comuns até 1991: no aperto, as secretarias da Fazenda pegavam dinheiro dos bancos estaduais para pagamento posterior. A operação era conhecida pela sigla ARO (Antecipação de Receita Orçamentária). Depois, os impostos depositados pelos contribuintes eram canalizados para uma conta até completar o valor dado como empréstimo.

A prática prosseguiu até que o Banco Central constatou rombos. A ministra Zélia Cardoso de Melo, em uma de suas poucas iniciativas corretas, acabou com a festa. Mesmo assim, a maioria dos bancos estaduais quebrou, passando à iniciativa privada.

CAUSA E EFEITO

Nota divulgada pelo Ministério da Fazenda demonstra que o Rio de Janeiro é o que tem a folha mais pesada no País. Basta lembrar: em 2002, o governador Anthony Garotinho se vangloriou ao conceder o maior aumento salarial entre todos os estados. Para isso, antecipou o recebimento de royalties da Petrobras. Na esteira da iniciativa, garantiu a eleição de sua mulher Rosinha como governadora.

NA CONTRAMÃO

A secretária da Fazenda de Goiás está sendo chamada de Mulher Coragem. Ana Carla Abrão tem afirmado que o problema dos Estados não é o endividamento, mas a falta de controle nos gastos. Líderes empresariais gaúchos querem trazê-la a Porto Alegre para uma palestra.

QUEDA

Em 1972, durante o governo Euclides Triches, os investimentos chegavam a 29,6 por cento do total do orçamento. Atualmente, não passam de 2 por cento.

RÁPIDAS

* O perfil do ministério de Michel Temer será técnico. Por enquanto, não há indícios de concessões.

* Com a presidente Dilma no palanque, a 1º de maio, será um Dia Trabalhador exaltado.

* As ideias sobre Economia andam tão paradas que não adianta a recomendação: agite antes de usar.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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