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Leandro Mazzini A expectativa Temer

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(Foto: Reprodução)

Na reunião que teve antes da posse com o núcleo duro de seu governo – assessores e os ministros palacianos – o presidente interino Michel Temer revelou que pretende dar um recado claro ao Brasil: reverter a expectativa negativa, dentro de um mês. Ele considera os próximos 30 dias cruciais para seu governo. Ele quer dar sinais ao mercado e aos investidores internacionais de que vai segurar o País. Mas principalmente para o povo, a fim de conquistar o apoio popular rapidamente. O Planalto encomendará pesquisas.

Dilma já era

Um consenso no grupo Temer é de que, se não virar a situação nos próximos seis meses, seu governo também dança. Quer dizer: ele dança para a tentativa de reeleição em 2018.

Consórcio

Temer escalou os senadores do PMDB e do PSDB para monitorar o humor dos colegas, para que não haja surpresa no julgamento do impeachment. A vantagem hoje é de um voto.

Passando o rodo

Na reunião ministerial de ontem, os titulares das pastas saíram com uma impressão clara do recado do chefe: é para fazer uma limpa em todos os altos cargos e de confiança do governo.

Novo DG

A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) pretende entregar ao presidente Temer uma lista tríplice com indicações para diretor-geral do órgão. Leandro Daiello deve ser substituído após os Jogos Olímpicos e a vaga, por lei, é de um delegado. Daiello e o ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo devem abrir um escritório de advocacia em Brasília.

Tchau, querida

A ex-deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) ganhou no Ministério da Defesa, entre os militares, o apelido de Perpétua, A Breve. Com pose, ela ocupou por apenas dois meses um cargo estratégico da pasta, a Secretaria de Produtos de Defesa.

Na bagagem

Perpétua controlou os contratos e licitações de compras bilionárias de armamentos e equipamentos das Forças Armadas, algo estratégico para a soberania. O cargo, tradicionalmente, é de um militar técnico. Dançaram também dois aliados comunistas: Ronaldo Carmona, assessor de planejamento, e Francisco Teixeira, do IPC (Instituto Pandiá Calógeras).

Quase lá, de novo

Por algumas horas antes da posse, o advogado paulistano Antônio Mariz, amigo de Temer, foi o preferido para o Ministério da Defesa. O PPS fez valer o apoio.

Eminência parda

Um senhor anônimo esteve ao lado direito de Temer no discurso de posse. Era o principal assessor do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foi um recado de que o deputado está no governo.

Família problema

O PTB do Distrito Federal está em uma situação delicada. A comissão provisória do partido tem mandato até outubro mas pode cair antes. Fazem parte o ex-senador Gim Argello, preso, seu filho Jorge Argello Jr. e o irmão de Gim, Paulo Argello.

Parceiro$

A Operação Lava-Jato deve voltar com força. Investigadores identificaram que Argello não atuou sozinho na blindagem de empresários na CPI Mista da Petrobras, em troca de propina. Há deputados envolvidos.

Óleo na pista

O novo governo está preocupado com um dado descoberto. Concessionárias de rodovias correm risco de quebrar até julho se não houver aporte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Assim como as dos aeroportos, essas concessionárias atrasam repasses à União.

Saldo no pedágio

Uma das empresas fatura R$ 1 milhão por dia, mas tem R$ 150 milhões em obras para pagar e contratar por acordo. E o bancão está fechando a torneira.

Vendeta

A ponta de sorriso esporádica no rosto do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é um sinal da vendeta pessoal contra Dilma Rousseff, que sempre o criticou durante o governo Lula.

Ponto Final

“A raiva precisa acabar. Não se faz política com o fígado. Em política não se tem inimigo, mas adversário, aquele que adversa, está do outro lado. Não entender isso é comprometer as bases do sistema democrático.” – Do então vice-presidente Michel Temer, em março de 2015.

Com Walmor Parente e Equipe DF, SP e Nordeste

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