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Brasil Não é momento de propor CPMF, diz ministro

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Busca foi feita em um imóvel de Geddel em Salvador (Valter Campanato/ABr)

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, posicionou-se nesta segunda-feira (16) contra a recriação temporária da CPMF, proposta cogitada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com o objetivo de equilibrar a dívida pública.

Em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, o peemedebista avaliou que “não é o momento” para que a recriação do tributo seja proposta pelo Palácio do Planalto.

Ele ponderou, contudo, que essa é a sua posição pessoal e que poderá apoiar o chamado imposto do cheque caso o presidente interno Michel Temer decida apresentá-lo ao Congresso Nacional.

“Eu acho que ela (CPMF) não deve transitar agora. Não é o momento, mas esse é um posicionamento pessoal. Se for proposto, deixa de ser convicção pessoal e passa a ser posição de governo. Ou eu saio ou vou defender a aprovação do processo”, disse.

A proposta da volta da CPMF foi criada pelo governo Dilma Rousseff como uma das medidas para estancar o crescimento da dívida pública. O tributo foi extinto pelo Congresso Nacional em 2007.

Caos

Na entrevista, Geddel avaliou que Temer assume o cargo em um cenário de caos e disse ser “muito pouco provável” que a presidente afastada retorne ao Palácio do Planalto.

Ele afirmou não crer haver condições de governabilidade para que se admita a hipótese do retorno da petista ao cargo na análise final do processo de impeachment no Senado Federal.

“Eu creio que é muito pouco provável, porque houve uma manifestação clara do Congresso Nacional e das ruas”, disse. “É importante pontuar que o país que está sendo recebido é um caos”, acrescentou.

Segundo ele, o rombo estimado pelo governo peemedebista superior a R$ 120 bilhões nas contas públicas foi construído pelas gestões de Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

“O PT está no governo federal há 14 anos, evidentemente que R$ 120 bilhões de déficit foi construído pelos governos petistas. Não surgiu do nada. A nossa luta é corrigir esse rumo e fazer com que o país tenha esperança de futuro”, disse.

O ministro Romero Jucá (Planejamento) deve acertar nesta semana com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), a votação do projeto que revê o número. O valor é bem acima dos R$ 96,7 bilhões admitidos pela equipe da petista e vai balizar a discussão da revisão da meta fiscal.

Na entrevista, o ministro reconheceu que a presença na equipe ministerial de investigados no rastro da Operação Lava-Jato gera críticas e desgastes, mas saiu em defesa do ministro Romero Jucá (Planejamento), que responde a um inquérito sob suspeita de integrar a organização criminosa que atuou na Petrobras.

Para ele, o peemedebista é um “quadro qualificado” e não pode ser condenado previamente, já que seu caso não foi ainda avaliado pela Suprema Corte.

“Eu compreendo as críticas. As pessoas estão machucadas com os fatos reais de corrupção e de enriquecimento ilícito, mas o presidente interino deixou claro. Se ele for condenado, não pode continuar no governo. Por enquanto, no entanto, é uma investigação”, disse. (Folhapress)

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