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Colunistas Quando um bufão tem o poder

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Eleições ocorrem em outubro. (Foto: Banco de Dados)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

As vezes ficamos desagradados com surpresas que surgem no processo eleitoral. Candidatos despreparados e/ou corruptos, com amparo e sob o manto de um partido (o que, por lei, é indispensável, posto que não existe candidato avulso) lançam-se na disputa do voto.

Isso sem contarmos os candidatos (lembram-se do “meu nome é Eneias”?), cuja mensagem de campanha resume-se a um chavão grotesco que, no caso, lhe possibilitou chegar a quase um milhão e meio de votos. Votos jogados fora, já que o candidato, eleito deputado – hoje falecido – foi de uma inutilidade superlativa.

O eleitorado subestima o valor do voto, não lembrando que ele, assegurado, quanto ao seu exercício, em uma participação livre, faz-se a mais visível e objetiva marca de vivência democrática. Por isso, Tiririca, um palhaço profissional, dizia com uma franqueza elogiável, que “votando em Tiririca, pior não fica”. Dava um aviso-prévio que contribuiu (?) para que obtivesse um milhão e trezentos mil votos. Grande parte deles na cidade de São Paulo.

Apesar de suas enormes limitações, Tiririca não se assustou com Brasília, os gabinetes, a burocracia, os Regimentos detalhados e, se não foi o que se gostaria que fosse, foi menos negativo do que muitos resultantes da soma da incapacidade com a desonestidade.

Portanto, temos esse quadro lamentável, formado de candidatos incapazes eleitos pela desatenção danosa de um eleitorado, que reclama, seguidamente – e até com razão – de um Congresso cheio de culpas, esquecendo que ele é formado também, graças ao voto alienado das partes.

Isso tudo ameaça aumentar o nosso complexo de vira latas, no dizer cáustico de Nelson Rodrigues. Mas não estamos sós! Por que? Porque o mundo esteve – e está – assistindo, nos últimos seis meses, a um processo que faz com que cheguemos à conclusão que, nada é (e será) tão perigoso e supremamente ridículo como a campanha eleitoral dos Estados Unidos com a participação de Donald Trump.

Em novembro, quando os ianques estiverem elegendo o seu Presidente, escolhem o homem mais poderoso do mundo. Suas decisões – pela força econômica, tecnológica, militar e política fazem-no o dirigente máximo de um país líder – influenciam a vida do agricultor gaúcho , do industrial inglês, do burocrata russo, do sheik bilionário da Arábia Saudita e até dos astronautas que giram nos seus foguetes em torno da Terra. Esse ser poderoso, que pode fazer nosso real valer mais ou menos, pode vir a ser uma figura ridícula.

Quando Trump decidiu concorrer às prévias do Partido Republicano – ele que foi de todos os partidos, sem ser de nenhum – fez-se motivo de piadas da crônica política que pretendia divertir-se com seu ar de ruidoso e inconsistente bilionário que teria frequentado uma escola para atores de terceira classe.

E ai, começou a lançar ideias absurdas: por exemplo: muro separando os Estados Unidos do México; proibição de ingresso no país – Estados Unidos – de muçulmanos; incentivo ao uso de armas pela população etc etc.

Doutor Eneias, Tiririca e outros mais formam – ou são – histórias no máximo lamentáveis. Trump, hoje, candidato oficial (vitorioso nas prévias) do Partido Republicano, nos faz desconfiar da qualidade e importância da avaliação que o povo estadunidense faz de seus candidatos, na medida em que, assustadoramente, o BUFÃO foi levado a sério por grande parcela dos eleitores.

Trata-se não mais de um risco teórico. É um perigo concreto, crescendo, dia após dia. Hoje, empatando nas pesquisas com a candidata Democrata, Hillary Clinton, que tem a apoia-la o Presidente Obama, o ex-Presidente e marido Bill Clinton etc etc.
A teoria de políticos experientes, que alardeavam ruidosamente – e agora, quando muito, sussurram – que Hillary ganharia folgadamente e que Trump era apenas um “sparring”, viu-se desmentida pelos fatos.

O que explicaria essa força eleitoral? A decadência dos artidos, o rechaço aos políticos, o desejo de MUDAR seja para onde ou com quem for; uma espécie de adesão ao chefe autoritário e populista que “pensa pela gente” em detrimento do líder que busca compor.

Se nós, brasileiros, não podemos votar para derrotar Trump, o que resta é rezar e fazer promessa. E, principalmente, conformar-se com a limitação de nossos problemas, acreditando, ante a tragédia Trump, que Tiririca é problema de varejo. Afinal, palhaçadas no Congresso não são recomendáveis mas, comparando com a ameaça “Trump”, o humorismo circense tem a vantagem de não assustar.

O mundo ocidental, temeroso, reage ante os golpes traiçoeiros e homicidas do terrorismo explícito ao qual por vias tortuosas, poderá se associar, não expressamente desmiolado Trump. Sem sensacionalismo, uma vitória de Trump, seus previsíveis efeitos negativos, por atacado, poderão criar danos maiores do que os atentados de Bin Laden.

E o pior, usando a arma da democracia: o voto; desejo que a enganada, desatenta e inconsciente população se aperceba que, detrás do palhaço está o perigo do poder populista manejado com a insanidade, por isso imprevisível.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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