Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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Brasil Ela se dizia vítima de assédio sexual de um deputado. Agora, está sendo investigada pela polícia

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Patrícia Lélis e Marco Feliciano (Foto: Reprodução)

A estudante Patrícia Lélis, 22 anos, será indiciada por tentativa de extorsão e falsa comunicação de crime após denunciar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) por assédio sexual e o chefe de gabinete do parlamentar, Talma Bauer, por tentar acobertar o caso. Um vídeo sob análise da Polícia Civil de São Paulo, onde a denúncia contra Bauer foi registrada, mostra os dois conversando sobre um pagamento de 50 mil reais à jovem.

Negociação de dinheiro pelo silêncio. 

Patrícia acusa Bauer de mantê-la em cárcere privado e de forçá-la a gravar vídeos negando que Feliciano tenha tentado violentá-la. Mas, na interpretação da polícia, partiu da estudante pedir o dinheiro. Ela teria, inclusive, negociado receber 300 mil reais pelo seu silêncio. “Tem interesse dos dois, mas na gravação ela pede dinheiro”, afirmou o delegado Luís Roberto Hellmeister .

No diálogo, Bauer diz ter entregue 50 mil reais a Artur Mangabeira, que seria namorado de uma amiga que Patrícia conheceu pela internet. Mangabeira teria dito ser agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O intermediário, contudo, teria pago apenas 10 mil reais à estudante. “Bauer, eu vou enfiar a cara dele no chão. […] Me promete que você vai fazer alguma coisa com ele”, reagiu Patrícia. O chefe de gabinete, então, respondeu: “Eu não vou matar ele, mas eu dou um nó nele, alguma coisa eu faço”. Bauer chegou a ser detido, mas logo foi liberado. Ele segue sendo investigado.

Delação. 

Além de assédio sexual, Patrícia acusa Feliciano de agressão e diz que o presidente do PSC, Pastor Everaldo, ofereceu dinheiro para que ela não fizesse denúncias contra o deputado. O autor da gravação, feita de forma escondida, é Emerson Biazon, assessor do PRB que também participou da conversa. Em depoimento à polícia, ele contou que a jovem teria recebido 20 mil reais de Bauer.

O advogado de Patrícia Lélis, José Carlos Carvalho, afirmou que a jovem não recebeu valores de Bauer e que os vídeos em que nega os crimes de Feliciano foram gravados sob ameaça. Recentemente, Patrícia esteve na Procuradoria Especial da Mulher no Senado para fazer denúncias de abuso sexual contra o deputado.

“Uma grande farsa.”

Feliciano publicou um vídeo em seu Facebook em que nega as acusações. Ao lado da esposa, Edileusa, e com a voz embargada, ele afirma que a denúncia é “uma grande farsa”.

 

 

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