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| Empreiteira Odebrecht teme que a morte do Ministro Teori Zavascki atrase a homologação das delações de seus executivos

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O ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, em foto de 2009. (Foto: Reprodução)

A morte de Zavascki já afetou o andamento das negociações da Odebrecht, iniciadas em março de 2016.

Após a confirmação do acidente de avião, a PGR (Procuradoria Geral  da República) entrou em contato com a empreiteira e suspendeu as audiências de homologação com os 77 delatores que começariam nesta sexta-feira (20) e se estenderiam por uma semana.

Nessas audiências, os executivos confirmariam a um juiz auxiliar de Zavascki que fizeram colaborações por livre e espontânea vontade.

Essas reuniões seriam o último passo antes da homologação, que estava prevista para fevereiro. Havia a expectativa de que, neste período, Zavascki tornaria público o conteúdo delatado pela empreiteira.

Outra consequência da morte do ministro é o atraso do início do cumprimento de penas dos executivos da Odebrecht acertadas nos acordos de delação, que passam a vigorar depois da homologação feita pelo STF.

Herdeiro e ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, vai cumprir dez anos, sendo dois e meio em regime fechado – como está preso desde 2015, ele deve sair da cadeia em dezembro.

A frente investigativa também perderá celeridade, pois é somente após a validação do acordo pelo juiz relator do caso que os investigadores poderão usar os depoimentos da Odebrecht para pedir a abertura de um inquérito contra os citados.

Só na delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, o nome do presidente Michel Temer aparece 43 vezes.

O mesmo delator disse que o advogado José Yunes, amigo de Temer e, na época assessor presidencial, recebeu em seu escritório parte dos R$ 10 milhões de caixa dois repassados pela Odebrecht ao PMDB para a campanha de 2014.

Após a revelação, Yunes deixou o cargo de assessor presidencial, em dezembro.

DELATOR

A esperança dos delatores é que a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, opte por usar o artigo 68 do regimento da Casa, que permite a redistribuição do processo em caráter excepcional.

Se optar por esse caminho, um ministro da mesma segunda turma de Teori assumiria a relatoria da Operação Lava Jato.

Uma fonte da Odebrecht disse que espera que a ministra opte por essa saída rápida, afinal há réu preso no caso, referindo à situação de Marcelo Odebrecht, que está em Curitiba.

Um dos principais delatores da empreiteira é mais confiante. Ele diz não acreditar que os acordos corram risco. Diz que ninguém vai ter coragem de parar a homologação “porque a opinião pública não vai deixar”.

Para ele, o acordo importante “foi feito com o Ministério Público” e a homologação “não tem como” ser evitada agora. (Folhapress)

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