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Brasil A crise política no País colocou em compasso de espera o mercado de capitais

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Incertezas dificultarão concretização de projeções otimistas. (Foto: Reuters)

A crise política colocou em compasso de espera os negócios no mercado de capitais. Nesse tipo de operação, as empresas emitem ações ou títulos de dívida (debêntures e bonds) para ter dinheiro e investir em seus projetos ou comprar concorrentes. Mas, como a delação da JBS aumentou a incerteza em relação à retomada econômica, quem estava se preparando para fazer captações resolver esperar.

“Ficou todo mundo perplexo com o que aconteceu. Foi algo grave e ninguém sabe se os efeitos vão persistir a curto, médio e longo prazos. Quem estudava alguma operação está colocando em compasso de espera”, diz Jorge Simão, diretor do banco de investimento Haitong.

A postergação de algumas operações pode fazer com que o ano seja menos promissor no mercado de capitais do que o previsto. No caso da oferta de ações, a B3 (antiga Bovespa) calculava ao menos R$ 25 bilhões no ano (R$ 11,4 bilhões já foram emitidos até abril). O número poderia ser ainda maior se a Reforma da Previdência fosse aprovada ainda no primeiro semestre. Em uma operação dessas, a maior parte do dinheiro costuma ir para o caixa das empresas, que utilizam os recursos para aquisições ou para ampliação dos negócios.

No entanto, bancos de investimento consultados afirmaram que essas ofertas só irão para a rua quando o cenário voltar a ficar mais claro. Essa postergação deve empurrar algumas operações para o ano que vem.

Operações ficaram mais caras

Na renda fixa, o efeito foi parecido. Fabrizio Sasdelli, sócio da área de Mercados Financeiro e de Capitais do Lobo & de Rizzo Advogados, afirmou que as empresas preferem esperar porque algumas operações, se ocorrerem agora, vão ficar mais caras.

Isso porque, até quarta-feira (17) à noite, esperava-se uma taxa básica de juros em torno de 8% até o fim do ano. Com a crise política, os economistas passaram a esperar uma magnitude menor na redução da taxa Selic (atualmente em 11,25% ao ano), o que afeta a remuneração que as empresas vão pagar aos investidores.

tags: Brasil

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