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Por Redação O Sul | 12 de junho de 2017
A projeção para a taxa básica de juros permaneceu inalterada na pesquisa Focus do BC (Banco Central) para este ano e o próximo, com perspectiva de ritmo mais fraco de corte da Selic em julho e crescimento menor tanto em 2017 quanto em 2018.
O levantamento divulgado nessa segunda-feira mostrou que os economistas consultados permanecem vendo a Selic (a taxa básica de juros) a 8,5% tanto no final de 2017 quanto de 2018.
Para a reunião de julho, eles veem um corte de 0,75 ponto percentual, depois de o BC ter reduzido no fim de maio a taxa em 1 ponto percentual, a 10,25 por cento.
Na ata desse encontro, a autoridade monetária repetiu que a redução moderada do ritmo do afrouxamento monetário deve se mostrar adequada em sua próxima reunião, em função da crise política. Esse cenário foi reforçado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na sexta-feira.
As expectativas do Top-5, grupo que reúne aqueles que mais acertam as projeções, também não mudaram, com a Selic calculada em 8,38% e 8% respectivamente neste ano e no próximo, na mediana das projeções. Entretanto, a pesquisa com uma centena de economistas mostra ainda que, em relação à atividade econômica, o PIB (Produto Interno Bruto) deve expandir apenas 0,41% em 2017, contra projeção anterior de 0,50%.
A conta para 2018 também caiu, em 0,10 ponto percentual, e agora é de crescimento de 2,30%. Em relação ao IPCA, a estimativa para a inflação este ano foi reduzida em 0,19 ponto percentual, chegando a 3,71%. Para 2018, a redução foi de 0,03 ponto, a 4,37% . Em maio, o IPCA subiu 0,31% e alcançou em 12 meses 3,60%, nível mais baixo em 10 anos.
Recessão
Os componentes de demanda interna ainda estão em queda, incluindo o consumo das famílias – que é o mais importante e caiu pela nona vez seguida, embora tenha tido o melhor desempenho nessa base de comparação desde o 4º trimestre de 2014.
A taxa de investimento como proporção da economia caiu mais de um ponto percentual em um ano: foi de 16,8% no primeiro trimestre de 2016 para 15,6% no primeiro trimestre de 2017.
Já entre os setores, o mais importante (Serviços) ficou estagnado enquanto a Indústria subiu 0,9%.
“Estamos sim em uma trajetória de recuperação, com algumas dificuldades, mas saímos do fundo do poço. A questão do ciclo é importante, ele tem uma dinâmica própria e está em uma fase ascendente. O ajuste de estoques está encerrado”, diz Chico Pessoa, economista da LCA Consultores.
Uma recessão “técnica” se configura quando o PIB cai por dois trimestres seguidos, mas não há critério similar para cravar o fim de uma recessão. No nosso caso, é difícil dar a crise econômica por encerrada.
Silvia compara a recuperação com um “eletrocardiograma” e diz que o país saiu de uma recessão severa para uma estagnação: “é que nem regime, perder é mais fácil do que manter”.