Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de julho de 2017
O presidente Michel Temer chamou na noite deste sábado (29) ao Palácio do Jaburu para um jantar o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Às vésperas da votação da denúncia contra o presidente na Câmara, Temer quer ajuda de Aécio para segurar o PSDB no governo. O senador mineiro é um dos principais defensores, entre os tucanos, da manutenção da aliança com o PMDB.
Aécio, delatado por Joesley Batista, enfrenta resistência e pressão no PSDB para deixar definitivamente o comando do partido. Ele está afastado da presidência da legenda desde que a delação da JBS, envolvendo-o, veio à tona.
Temer defende que Aécio permaneça no comando do partido. O interino, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), é a favor do desembarque.
O jantar foi um gesto de Temer para “afagar” Aécio e apoiar, nas palavras de um aliado do presidente, a “retomada do protagonismo” do senador à frente do grupo de tucanos que defende o governo.
Também foram convidados para o encontro os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Bruno Araujo (Cidades) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia, no entanto, não compareceu.
Aécio foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça. O senador foi gravado pelo empresário Joesley Batista pedindo R$ 2 milhões, supostamente, para pagar um advogado para defendê-lo na Operação Lava-Jato.
O ministro Moreira Franco confirmou o encontro e disse que as esposas do senador e dos ministros também foram convidadas.
Os tucanos vivem um momento de forte divisão interna sobre o apoio ao Palácio do Planalto. Parlamentares mais próximos a Aécio, e ministros tucanos querem que a sigla se mantenha fiel ao governo.
Um dos presentes disse que Aécio está “a todo vapor” na atividade política, e que deve retomar o papel de articulador na volta do recesso parlamentar, nesta terça-feira (1º). O mineiro sempre desempenhou papel importante nas conversas entre o PSDB e o PMDB de Temer.
Além do apoio a Temer, os tucanos enfrentam uma discussão interna sobre o comando do partido. Com o retorno de Aécio às atividades parlamentares, após autorização da Justiça no fim de junho, o PSDB precisa definir a presidência da legenda.
Aécio se licenciou do cargo em maio, logo após o vazamento de uma conversa em que pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, do grupo JBS. Desde então, o partido é comandado interinamente por Tasso.
Há um debate interno sobre se Aécio deve se desligar definitivamente da presidência e quando isso deve ocorrer. Governistas querem que isso ocorra o quanto antes e defendem que Tasso permaneça no cargo. Já os apoiadores de Temer querem postergar a discussão para que a sigla possa construir consenso em torno de outro nome para comandar o partido, que seja da ala pró-governo. (Andréia Sadi/G1/Folhapress)
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