Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de agosto de 2017
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nessa terça-feira, que poderá ser “um grande cabo eleitoral” caso seja impedido de disputar a eleição presidencial de 2018. Em conversa transmitida ao vivo na página do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) na rede social Facebook, o líder petista também voltou a criticar a Operação Lava-Jato, da qual ele se diz vítima de perseguição.
“Deixa eu dizer uma coisa para quem me persegue: eu posso ser um bom candidato a presidente da República, se concorrer. Mas se não me deixarem disputar a eleição, eu também posso ser um grande cabo eleitoral. E se eu porventura morrer como um mártir, eu serei um grande cabo eleitoral maior ainda”, declarou, em um misto de indignação e ironia.
O petista foi condenado, no mês passado, pelo juiz federal Sérgio Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do apartamento triplex na praia do Guarujá (SP). Se o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre) confirmar a sentença, o ex-presidente seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa e ficaria impedido de disputar o pleito, do qual desponta como um dos favoritos nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.
Cenário nacional
Ainda na opinião de Lula, que governou o País por dois mandatos consecutivos (2003 a 2010), as investigações da Lava-Jato têm feito com que o povo brasileiro seja prejudicado por fatores como o aumento do desemprego e a queda da renda.
O ex-presidente aproveitou a fala para comentar a votação desta quarta-feira, na Câmara dos Deputados, sobre a autorização do Legislativo para o prosseguimento – ou não – da denúncia da PGR (Procuradoria- Geral da República) contra o presidente Michel Temer.
Após ouvir o correligionário Damous dizer que está pronto para votar pelo “prosseguimento da denúncia”, o líder petista ressaltou: “Seja qual for a decisão de vocês, deputados federais, nessa lenga-lenga sobre votar ou não contra o Temer é importante levar em conta que o desemprego cresce e o salário cai”.
Defesa
A defesa de Lula definiu “mais um atentado ao Estado de Direito” a decisão do juiz federal Sérgio Moro em aceitar, nessa terça-feira, a nova denúncia contra o petista no caso do sítio de Atibaia (SP). Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins acusou de parcialidade o magistrado, responsável pelos processos decorrentes da Operação Lava-Jato na primeira instância.
“Mais uma vez, o juiz Sérgio Moro trabalha com conceito de ‘propriedade de fato’, embora o sítio referido na denúncia tenha proprietários conhecidos, que constam na matrícula do imóvel e que provaram a utilização de recursos próprios e lícitos para a compra do bem e, ainda, que suportam despesas de sua manutenção.”, argumentou a defesa. “A peça acusatória não indica nenhum ato de ofício de Lula no exercício da Presidência da República que justifique a acusação. Moro, novamente, aceita uma denúncia esdrúxula apenas em razão do cargo de presidente da República ocupado por Lula na época.”
Conforme Zanin, os contratos apontados pelo Ministério Público Federal como fonte de pagamento de propina a Lula por meio de reforma no sitio de Atibaia já foram reconhecidos por Moro como não tendo gerado benefício ao ex-presidente. Os acusados afirmam, ainda, que Moro pratica lawfare contra Lula, o que, em tradução livre significa uma espécie de “guerra jurídica”.
“O lawfare praticado pelo juiz Moro e pelos procuradores da Lava-Jato contra Lula e a ineficácia do sistema recursal interno para paralisar as grosseiras violações a garantias fundamentais do ex-presidente são alvo de preocupação da comunidade jurídica nacional e internacional, além de embasar um comunicado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU [Organização das Nações Unidas], que já superou uma primeira etapa de admissibilidade”, acrescentou Zanin.
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