Quarta-feira, 04 de novembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
20°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Uma planilha da Caixa Econômica Federal demonstra a ligação de políticos com empréstimos concedidos para empresas

Compartilhe esta notícia:

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, na saída da prisão. (Foto: AE)

Registros datados de 2012 em um notebook apreendido em julho de 2016 por integrantes da Corregedoria da Caixa Econômica Federal em Brasília demonstram ligação de políticos com empréstimos a empresas, conforme reportagem da revista Época. O notebook era de um funcionário da Vice-Presidência de Pessoa Jurídica. Entre 2011 e 2013, o vice-presidente de Pessoa Jurídica era Geddel Vieira Lima (PMDB), que recentemente ocupou um ministério no gabinete de Michel Temer. Os investigadores da Corregedoria localizaram nos arquivos uma planilha que ganhou a chancela “sigilosa”.

O documento tinha a lista das empresas que solicitavam empréstimos ao banco público, com os valores das operações e o status do negócio. Até aí, um registro prosaico de atividades. Não fosse por uma outra coluna, identificada como “contatos externos”. Nela, políticos de PMDB, PT e PSC estavam relacionados às operações, que deveriam ser eminentemente técnicas.

Àquela altura, a Lava Jato ainda não desbaratara o esquema de achaque a empresas interessadas em recursos do banco. Os investigadores da Lava Jato suspeitam que o esquema fosse tocado por Geddel, pelo ex-deputado Eduardo Cunha e por seu operador Lúcio Funaro – os dois últimos, padrinhos de Fábio Cleto, que ocupava a Vice-Presidência de Loterias na Caixa no mesmo período.

O documento despertou a atenção. Imediatamente, auditores do banco anotaram em um relatório sigiloso, obtido pela reportagem: “Conforme se denota do documento ora anexado, o empregado possuía em seus arquivos uma lista com as seguintes informações: Cliente/Contato Externo/Operação/Status. Na referida planilha, no campo contato externo figuram políticos influentes”. E qualificaram o risco: “Dos políticos citados na planilha, há um deputado preso por fraudes licitatórias, e outro formalmente indiciado por envolvimento na Operação Lava Jato”.

O deputado investigado na Lava Jato é Marco Maia, do PT gaúcho, alvo de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). Na linha que anota um pleito da CCB e Rio Corrente PCH, do grupo goiano Construtora Central do Brasil, identificada como operação “35 MM + 35 MM”, o servidor anotou o nome de Marco Maia, ex-presidente da Câmara. A empresa afirma que buscou, mas não conseguiu o empréstimo na Caixa.

A CCB nega contatos com o parlamentar gaúcho. Marco Maia disse que nunca ouviu falar das empresas do Grupo CCB, não conhece ninguém da companhia e que tampouco teria procurado Geddel para tratar de demandas na Caixa. Em relação à tentativa de obter um empréstimo de R$ 70 milhões, como a planilha sugere, a companhia goiana enfatiza que “nenhum de seus representantes conhece ou manteve algum tipo de contato com o deputado Marco Maia em época alguma”.

Os investigadores da Corregedoria afirmam que a planilha foi produzida em 2012. De acordo com os auditores da Caixa, o registro formal em documento arquivado de “padrinhos políticos” nas operações de crédito era um ineditismo criado na gestão Geddel – hoje em prisão domiciliar –, a quem o servidor Giovanni Carvalho Alves, usuário do computador, estava subordinado. Produziu-se uma raridade no mundo da corrupção, onde os crimes não deixam provas materiais: uma certidão de apadrinhamento. Por lei, essas operações deveriam seguir o mesmo ritual impessoal aplicado a qualquer postulante.

De acordo com os investigadores, o esquema do PMDB na Caixa, principalmente no FI-FGTS, não estava escorado no poder de aprovar empréstimos, mas de usar um intermediário – um “longa manus” –, o ex-vice-presidente de Loterias Fábio Cleto, que possuía assento no Conselho do Fundo, para dificultar a concessão de empréstimos, mesmo os lastreados tecnicamente. No jargão, vendia dificuldade para colher facilidades. De modo análogo ao que ocorria com Cleto no FI-FGTS, Geddel tinha assento no Conselho Diretor do banco, responsável pela aprovação de grandes empréstimos, podendo votar ou “vetar” as operações pleiteadas.

Por meio de sua assessoria, a Caixa informou que o processo interno da Corregedoria “foi levado ao conhecimento da Polícia Federal e do Ministério Público Federal”, mas que, como corre sob sigilo, não pode se manifestar sobre ele.

Em relação aos empréstimos, o banco afirmou que “até o momento não foram identificadas irregularidades nas concessões”. Como o escândalo do FI-FGTS foi revelado pela PF e não pela área de compliance da Caixa, a planilha obtida pelos auditores é considerada um grande ponto de partida.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima afirmou por meio de nota que só vai se manifestar quando tiver acesso ao documento e disse que jamais atuou para favorecer ou retardar operações financeiras para empresas no banco. Giovanni Alves, o usuário do computador apreendido pelos investigadores da Corregedoria, não quis comentar o assunto. (AG)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O Conselho Nacional de Justiça puniu 82 juízes do Brasil desde 2005, sendo que 53 deles continuam recebendo salário
Delação da construtora OAS vai ser encolhida para ter o seu desfecho até a saída do cargo do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot
Pode te interessar