Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2017
O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) foi preso na manhã desta sexta-feira (08) no prédio onde morava, em Salvador. Ele foi detido pela PF (Polícia Federal) após um pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público Federal.
Geddel deixou o prédio pouco antes das 7h, no banco de trás de uma viatura. Sete agentes e dois carros da PF foram ao prédio para buscá-lo. Um vendedor ambulante que estava na região foi levado pelos agentes para dentro do condomínio, possivelmente para servir de testemunha.
Fortuna em outro imóvel
Na terça-feira (05), a PF apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento que seria utilizado por Geddel na capital baiana. O dono do imóvel afirmou à PF que havia emprestado o apartamento ao ex-ministro para que ele guardasse documentos e pertences do pai, que morreu no ano passado. A PF reuniu quatro provas que reforçam a ligação Geddel com o dinheiro.
As impressões digitais de Geddel foram encontradas no próprio dinheiro, outra testemunha confirmou que o espaço tinha sido cedido ao ex-ministro e outra pessoa é suspeita de ajudar Geddel na destinação das caixas e das malas de dinheiro. Além disso, a PF identificou risco de fuga, depois da divulgação da apreensão do dinheiro.
A apreensão do dinheiro é um desdobramento da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal. De acordo com o MPF, entre 2011 e 2013, Geddel agia para beneficiar empresas com liberações de créditos e fornecia informações privilegiadas para os outros membros da quadrilha que integrava.
O ex-ministro virou réu em agosto em uma ação na Justiça Federal em Brasília por obstrução da Justiça. Ele é acusado de tentar atrapalhar as investigações. Em nota divulgada após a decisão da Justiça, a defesa de Geddel rechaçou as acusações, chamando de “fruto de verdadeiro devaneio e excesso acusatório”. A defesa do ex-ministro não se manifestou sobre os R$ 51 milhões.
Ex-ministro de Lula e Temer
Geddel deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer em novembro de 2016. Ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra na Ladeira da Barra, área nobre de Salvador. Geddel era um dos principais responsáveis pela articulação política do governo Temer com deputados e senadores. Ele ficou no cargo por seis meses.
O peemedebista também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010, depois de ter sido crítico ferrenho do primeiro mandato do petista e defensor do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Atuou como vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, cargo do qual chegou a pedir exoneração pelo Twitter à então presidente Dilma Rousseff, pela possibilidade de concorrer nas eleições seguintes. Quem o convidou para o cargo foi Michel Temer. Foi derrotado por Otto Alencar (PSD) na eleição ao Senado.
Formado em administração de empresas pela Universidade de Brasília, Geddel é natural de Salvador, onde foi assessor da Casa Civil da prefeitura entre 1988 e 1989. Em 1990, filiou-se ao PMDB, partido pelo qual foi eleito cinco vezes deputado federal. (AG)