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Armando Burd É preciso investigar

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O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori. (Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A 17 de junho do ano passado, o governo do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade financeira. A 22 de novembro, foi a vez de o Rio Grande do Sul. Duas semanas após, Minas Gerais tomou o mesmo rumo. Consequências da ruína. Ontem, surpreendentemente, a Secretaria da Fazenda de Minas anunciou que o pagamento total do 13° salário ocorrerá até o final deste mês. O governador José Ivo Sartori precisa enviar um mensageiro a Belo Horizonte, com urgência, para conhecer a fórmula.

TERÃO PREJUÍZO

Com 33 votos favoráveis e 14 contrários, foi aprovado na Assembleia Legislativa, ontem, projeto de lei que indeniza os servidores públicos pelo atraso no pagamento dos salários. Só que a correção pelo índice da poupança torna-se injusta. Nenhuma loja cobra dos inadimplentes pela taxa mais baixa. O mesmo critério vale para bancos, a quem os servidores tiveram de recorrer. Os prejudicados buscarão ressarcimento no Judiciário.

TUDO MUITO PREVISÍVEL

As votações de projetos polêmicos têm seguido um rito na Assembleia, quando as galerias ficam cheias. Primeiro, os deputados da oposição, mesmo sabendo que serão derrotados, sucedem-se na tribuna sem parar, atacando o governo. Ontem, chegaram a uma hora e 30 minutos. Depois da bateria de críticas, a situação reagiu. Irritado, Sérgio Turra se manifestou, dizendo que os discursos repetiam teses superadas. Na sequência, Marcel van Hattem, sob vaias, declarou que os adversários “só faziam cera”. Tiago Simon finalizou a fase de pronunciamentos de forma apaziguadora, lembrando que Sartori, quando foi prefeito de Caxias do Sul, concedia reajustes trimestrais aos servidores e por um motivo: havia dinheiro em caixa.

TRÉGUA

A deputada estadual Stela Farias, do PT, foi convidada e acompanha hoje o governador Sartori a Brasília. Na pauta, a tentativa de salvar o Terminal de Gás Natural Liquefeito de Rio Grande. Na tribuna da Assembleia, Stela tem sido uma das fortes críticas do Executivo.

RISCO

A Assembleia Legislativa entrará em recesso a 23 de dezembro. O governo estadual cogita uma convocação extraordinária, fazendo com que ocorram sessões para votações em janeiro. Primeiro, precisará consultar deputados da base aliada. Alguns já declaram: não comparecerão.

EM LIQUIDAÇÃO

O governo federal prevê no Orçamento de 2018 a arrecadação de 12 bilhões de reais com a privatização da Eletrobras. O dinheiro entrará num dia e desaparecerá no outro, servindo apenas para tapar rombos no orçamento.

DIA DE CONFERIR

Hoje à tarde, quando for iniciada a sessão plenária de julgamento, vai se saber sobre a persistência da suprema briga entre ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.

A ARTE DE ESCONDER

Um dos móveis preferidos pela maioria dos governos é o biombo para que possam acobertar erros passados e atuais. O que ocorre nas finanças públicas segue com acesso restrito. A circunstância lembra frase do escritor francês Jean de La Fontaine, que viveu de 1621 a 1695: “A vergonha de confessar o primeiro erro leva a muitos outros”. Querem manter tudo encoberto.

SERÁ DE ASSUSTAR

Falta um levantamento em todo o País para mostrar quanto os governos estaduais gastam com jatinhos contratados. Cada utilização deveria vir com a justificativa pública. Afinal, os voos comerciais foram feitos para todos.

PONTO DE EQUILÍBRIO

Os donos de placas de táxi se achavam donos do mercado. As votações do projeto de regulamentação dos aplicativos, no Senado e na Câmara dos Deputados, aproximam-se do bom senso, sem ceder a extremos que prejudicariam os usuários. Uber e Cabify são irreversíveis.

NA GANGORRA

Em uma roda de cafezinho, ontem à tarde, empresários conversavam e a conclusão sobre o quadro nacional foi unânime: “Há uma confiança desconfiada.”

PRATO DA INSOLVÊNCIA

Na cozinha da Secretaria Estadual da Fazenda, onde faltam ingredientes para o prato de cada dia, a tendência é passar do aperto de cinto à dieta muito mais rigorosa.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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