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Brasil “Palocci foi contar uma mentira maior que a dos outros”, disse o ex-presidente Lula

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Segundo Palocci, os pedidos de "vantagens indevidas" eram feitos por tesoureiros do PT. (Foto: Agência Brasil)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13) que seu ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi quem contou aos procuradores “uma mentira maior” que a dos outros delatores da Operação Lava-Jato.

Lula disse que seus adversários pensavam que sua trajetória política estaria acabada após a prisão de Palocci, mas na avaliação do petista a conclusão está errada, pois ele lutará “até as últimas consequências” para disputar as eleições de 2018.

“Prendeu [o empresário José Carlos] Bumlai, ‘Lula acabou’, quando Marcelo Odebrecht for preso, e ele já está preso há dois anos e meio, agora prenderam Palocci, agora vai dar. E Palocci foi lá contar uma mentira maior que a dos outros”, disse o ex-presidente durante reunião das bancadas do PT na Câmara e no Senado, em Brasília.

Em proposta de delação premiada entregue ao Ministério Público Federal, Palocci teria dito que o ditador líbio Muammar Kadafi doou secretamente US$ 1 milhão para a campanha presidencial de Lula em 2002, quando o petista venceu José Serra (PSDB). A informação é da revista “Veja”.

O ex-ministro teria dito que ele próprio seria o responsável por trazer o dinheiro ao Brasil, sem deixar rastros de sua origem. De acordo com a reportagem, Palocci disse que tem comprovantes das operações.

Palocci investe contra Lula desde o início das tratativas das negociações do acordo. Em setembro, ele fez divulgar uma carta, escrita de próprio punho da cadeia e entregue aos advogados para ser digitada e impressa, de três páginas e meia. Explosivas, as palavras do ex-ministro foram endereçadas à presidente nacional do partido, a senadora Gleisi Hoffmann.

Cirurgicamente montada e retocada, a carta coloca o PT e Lula contra a parede, ao afirmar que seus dois governos e de sua sucessora foram corrompidos pelo “tudo pode”, pelos “petrodolares”. Antes,  no dia 6 de setembro, Palocci confessara negociar propinas com a Odebrecht e incriminara Lula ao revelar um suposto “pacto de sangue” entre o ex-presidente e o empresário Emílio Odebrecht, em 2010, em que foi acertado R$ 300 milhões em corrupção ao PT.

Durante seu mandato, Lula se reuniu pessoalmente quatro vezes com o ditador líbio, que governou o país com mãos de ferro durante 41 anos. Em 2009 foram duas vezes. Uma delas foi na Cúpula América do Sul- África, realizada na Isla Margarita, na Venezuela, no dia 26 de setembro.

Em seu discurso aos petistas, Lula não citou diretamente o episódio, tratando apenas como “mentiras” as possíveis afirmações do ex-ministro, que sempre foi um de seus homens de confiança.

A fala do ex-presidente foi a primeira reação pública de Lula à decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em marcar o julgamento do caso triplex para 24 de janeiro.

O petista afirmou ainda que não quer ser candidato se for culpado e que seria uma “leviandade” disputar a Presidência da República no ano que vem se houvesse “alguma prova” contra ele.

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