Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de dezembro de 2017
O presidente Michel Temer adiou a reunião que faria nesta quinta-feira (14) para definir a data da votação da reforma previdenciária. Por recomendação médica, ele permanecerá internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, onde foi submetido a uma cirurgia para desobstrução da uretra.
Com a permanência em São Paulo, o presidente pretende realizar a reunião com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) na sexta-feira (15) ou na segunda-feira (18). A ideia é que após o encontro, o peemedebista faça um pronunciamento no Palácio do Planalto para anunciar o adiamento da votação para fevereiro, estabelecendo uma data no ano que vem.
A posse do deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) como ministro da Secretaria do Governo, que também seria realizada nesta quinta-feira, deve ser feita na sexta-feira (15), no Palácio do Planalto. Em nota, a unidade médica havia informado que a recuperação do presidente seria de até 48 horas, já que ele carrega uma sonda urinária. Mesmo com o prazo estabelecido, o peemedebista divulgou aviso na qual informou que voltaria nesta quinta-feira para Brasília.
Na quarta-feira (13), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou que a reforma será adiada para fevereiro. A declaração, no entanto, atropelou o presidente, que pretendia fazê-la em pronunciamento. Na noite anterior, ele havia comunicado a Eunício e a Jucá que a votação ficará apenas para o ano que vem por falta de votos. O Palácio do Planalto contabiliza 285 votos, sendo que o mínimo necessário para aprovação é de 308 em dois turnos, por tratar-se de PEC (proposta de emenda à Constituição).
Confronto
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi o primeiro a confrontar a declaração do líder do governo de que a reforma não será mais apreciada em 2017. “Jucá expressou sua opinião de que ele acha isso uma solução viável e possível que ocorra, mas é evidente que não é uma decisão ainda. Pode não ser”, disse Meirelles.
“Isso é uma sacanagem com Michel”, disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP), da tropa de choque de Temer. “Fica mais difícil porque fica mais perto das eleições.” “Talvez o Jucá tenha informação que ainda não chegou ao Planalto e por isso não chegou aqui”, ironizou o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
No Palácio do Planalto, alguns auxiliares de Temer não escondiam irritação. Trinta e dois minutos após informar que Temer precisaria de “até 48 horas” para se recuperar de um procedimento cirúrgico em São Paulo, o Planalto soltou nova nota para informar que Temer retorna a Brasília nesta quinta para discutir a data de votação. A reunião, porém, não estava na agenda oficial divulgada no início da noite.
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