Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de dezembro de 2017
O presidente Michel Temer afirmou que “toda parceria e injeção de capital estrangeiro é bem-vinda”, mas a transferência de controle da Embraer para outra empresa “não está em cogitação”.
Dessa forma, o presidente abre possibilidade para negociações entre a estatal e a americana Boeing, desde que não haja venda da empresa com a consequente perda de seu controle acionário.
“Toda parceria é bem-vinda, o que não está em cogitação é a transferência de controle da Embraer”, afirmou Temer durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada.
O governo foi pego de surpresa com a informação de que a Boeing quer se associar à Embraer, provavelmente na área de aviação comercial.
O Planalto tem poder de veto em uma eventual venda da companhia em razão do “golden share”, mecanismo que lhe permite voz em qualquer decisão estratégia.
Ao lado do ministro da Defesa, Raul Jungmann, Temer disse que queria “saudar” o interesse da Boieng na Embraer porque, segundo ele, isso mostra que as empresas estrangeiras estão querendo investir no Brasil. “Se ampliar a participação de capital estrangeiro, melhor”, declarou.
No entanto, o presidente disse que as tratativas ainda não chegaram oficialmente ao Palácio do Planalto e que somente quando isso ocorrer é que ele vai tomar qualquer decisão sobre o assunto.
Jungamann fez eco ao discurso de Temer e afirmou que as negociações se dão em um cenário de “reestruturação global da indústria aeronáutica”.
O ministro argumenta que não vender a Embraer é uma decisão tomada por questões “estratégicas”.
“Não podemos transferir o controle acionário da Embraer para não transferir também o controle de decisões estratégicas”, disse. “Somos favoráveis à qualquer tipo de associação que beneficie a empresa, mas esse coração de tecnologia está relacionado à soberania nacional e nenhum país abre mão disse”, completou o ministro.
Comunicado conjunto
A Boeing procura na Embraer um novo fôlego no mercado para fazer frente às gigantes do setor, Airbus e Bombadier, que anunciaram, em outubro, uma sociedade para produção de jatos comerciais.
Em comunicado conjunto publicado pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (Securities and Exchange Commission), a Embraer e a Boeing informaram que estão em tratativas a respeito de uma “potencial combinação”. De acordo com o texto, as bases da negociação ainda estão em discussão.
O comunicado informa ainda que a transação estaria sujeita à aprovação do governo e agências reguladoras do Brasil, bem como dos respectivos conselhos e dos acionistas da Embraer.
Após a confirmação pelas empresas da negociação em curso, as ações da Embraer na B3, antiga BM&F Bovespa, valorizaram 22,5%.
Metalúrgicos
A possibilidade da venda da empresa brasileira foi repudiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. Para a entidade, que representa os trabalhadores da companhia, a Embraer é estratégica para o país e não pode ser vendida para capital estrangeiro.
“Exigimos que o governo federal vete a venda e, enfim, reestatize a Embraer como forma de preservar e retomar este patrimônio nacional”, destacou em nota.
Segundo o sindicato, a Embraer emprega hoje cerca de 16 mil trabalhadores no Brasil. “[A empresa] já vinha adotando uma profunda política de desnacionalização da produção. A venda para a Boeing vai comprometer esses postos de trabalho e a própria permanência da fábrica no País”.
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