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Brasil Procuradora-geral da República questiona no Supremo orçamento de R$ 99 milhões para a comunicação institucional do governo federal

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Raquel Dodge e o presidente Michel Temer. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para questionar a previsão de orçamento de R$ 99 milhões destinado à comunicação institucional da Presidência da República. Segundo Dodge, é inconstitucional o uso da verba pelo governo para realizar propagandas a favor da reforma da Previdência.

A dotação orçamentária está prevista na Lei 13.528/2017, aprovada pelo Congresso, que abriu crédito suplementar de R$ 6,9 bilhões para reforçar o Orçamento da União. Pela lei, há a previsão de destinar R$ 99 milhões para a comunicação institucional do governo.

Ao ingressar com a ação, a procuradora pediu urgência na suspensão da norma. “[São] Irreparáveis ou de difícil reparação tanto o dano gerado aos cidadãos brasileiros submetidos à campanha do governo federal com fim de mero convencimento sobre a necessidade de nova reforma da Previdência quanto as verbas públicas despendidas com essa forma de propaganda governamental inconstitucional”, afirmou Dodge na ação.

Ela citou a propaganda do governo sobre a reforma da Previdência e pediu que o Supremo declare inconstitucional o uso da verba para custear a campanha sobre a proposta. Segundo ela, a propaganda do governo tem “feição de campanha estratégica de convencimento público, em que não se dê abertura à expressão, no mesmo canal publicitário, da pluralidade de opiniões e aos dados diferentes dos que o governo apresenta na campanha pública de persuasão”.

“A comunicação pública deve ter um caráter estratégico não apenas para os governos, mas, e sobretudo, para a cidadania”, defendeu Dodge. Segundo a procuradora-geral da República, a Constituição Federal veda a promoção pessoal de autoridades públicas. “Se a ideia do governo é propiciar, com financiamento público, debate sobre uma proposta de mudança da Constituição, a licitude desse empenho se prende a que também sejam divulgados dados colhidos pelos adversários da proposta, garantindo-lhes igual espaço de exposição de ideias”, diz a procuradora.

Para ela, não é “cabível” que o Estado banque com recursos públicos destinados à comunicação institucional uma tese “específica e unilateral” sobre um assunto e oriente que as informações sejam divulgadas “segundo a conveniência ditada pelo desejo de convencer, em detrimento das condições necessárias para a formação autônoma de convencimento”. “Recursos públicos, num ambiente republicano, não podem se orientar pelo fim de manipular a opinião pública”, completou. Ela pediu que seja concedida liminar alegando serem irreparáveis, ou de difícil reparação, tanto o dano gerado aos cidadãos brasileiros.

O relator da ação é o ministro Marco Aurélio Mello, mas a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, que decide questões urgentes durante o recesso do Judiciário, já pediu informações em um prazo de dez dias aos presidentes da República e do Congresso Nacional.

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