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Brasil O Banco Central precisa de surpresas positivas para reduzir ainda mais a taxa básica de juros em março

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A proposta faz parte de uma atualização das normas que o BC impõe aos bancos e demais instituições financeiras para combater a lavagem de dinheiro. (Foto: ABr)

O BC (Banco Central) praticamente deu por encerrado o ciclo de baixas na taxa básica de juros, depois de levar a Selic para o seu menor nível na história. Só haverá um novo corte – moderado – em março se ocorrerem surpresas positivas até lá. No comunicado divulgado depois da reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) projeta que, se tudo evoluir como o esperado, a taxa básica seguirá nos fixados 6,75% ao ano.

Mas o BC poderá cortar moderadamente os juros (uma baixa de 0,25 ponto percentual) caso o cenário inflacionário se torne mais favorável ou se o balanço de riscos se desloque mais para o lado positivo. Desde fins do ano passado o Banco vem acompanhando a evolução dos núcleos de inflação para confirmar se eles levam o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para a meta, de 4,5%, em 2018 e aos objetivos dos anos seguintes.

Até dezembro, o BC tinha dúvidas se isso iria mesmo ocorrer. Alguns dos núcleos de inflação estavam baixos, ou seja, mais próximos do piso da meta deste ano (3%). Outros núcleos, porém, eram descritos pelo órgão como “confortáveis”, o que significa que eram compatíveis com a convergência da inflação para o centro da meta.

Preocupação

O BC estava preocupado com o risco de, nas estatísticas divulgadas depois de dezembro, os núcleos de inflação se mostrarem muito baixos e, dessa forma, o piso da meta de inflação ser novamente furado. Isso demandaria corte mais profundo de juros. O comunicado informa que, na avaliação do Copom, a inflação evoluiu conforme esperado no seu cenário básico desde dezembro.

Os núcleos de inflação, define o BC, seguem oscilando entre baixos e confortáveis. De forma geral, a autoridade monetária mostra-se confiante de que a inflação caminha para o centro da meta. Se os núcleos continuarem com esse comportamento até a reunião de março, provavelmente o Banco Central não cortará a taxa básica de juros. Mas, se baixarem mais, poderá ser avaliado um corte para 6,5% ao ano. Uma eventual alteração no balanço de riscos também poderia fazer o BC cortar mais os juros.

Do lado positivo, o Copom cita chances de os preços de alimentos seguirem favoráveis e as chances de uma inércia positiva mais forte levar a uma inflação mais baixa que a encomenda. Do lado negativo, o Comitê vem citando o risco de cair a ficha no mercado financeiro de a reforma da Previdência não ser aprovada e também as chances de uma piora nas condições de liquidez para os emergentes nos mercados internacionais.

O quadro seria particularmente negativo, vem alertando o BC, se esses dois eventos ocorrerem juntos. Desde dezembro, as chances de aprovação da reforma da Previdência diminuíram muito. Do lado externo, o BC nota, no comunicado, que, por enquanto, o apetite de risco para emergentes tem se mantido, apesar de maior volatilidade nas condições financeiras nas economias avançadas.

Do balanço de riscos, o que se pode concluir é que, do lado positivo, não houve progressos, enquanto que os riscos do lado negativo se tornaram um pouco mais pronunciados. Mas o BC diz, no comunicado, que vai continuar a avaliar o balanço de riscos para decidir se corta mais os juros ou não.

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