Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2015
O papa Francisco disse nessa segunda-feira que não provou folha de coca em sua visita à Bolívia. A passagem do pontífice pelo país foi na semana passada.
Interrogado pelos jornalistas sobre o segredo de sua energia aos 78 anos, depois de ter cumprido uma agenda extenuante durante sua viagem de oito dias a Equador, Bolívia e Paraguai, brincou: “Você quis dizer minha droga?”, questionou, rindo.
“Mas não provei [folha de] coca. Que isso fique claro”, disse. “O mate é o que me ajuda”, completou.
Sobre a moda do selfie com o pontífice, que ele costuma aceitar fazer sem protestar em todos os lugares que percorre, mostrou seu lado mais humano. “É outra cultura. Sinto-me bisavô. Hoje, ao me despedir, um policial ‘grande’ me pediu que fizesse um selfie com ele. Eu disse, ‘olha, você parece um adolescente’. É que é outra cultura”, revelou.
Crucifixo
Francisco também falou a jornalistas sobre o polêmico crucifixo talhado em madeira sobre uma foice e um martelo que recebeu do presidente da Bolívia, Evo Morales. Ao ser perguntado sobre o que sentiu quando viu a foice e o martelo com o Cristo, Francisco respondeu que “é curioso, eu não conhecia isso e não sabia que o padre [Luis] Espinal era escultor e poeta, soube estes dias. Quando o vi, para mim foi uma surpresa. Segundo que pode-se classificar como o gênero da arte de protesto”, conforme explicou o pontífice.
Ele se pronunciou ainda a respeito do processo de paz na Colômbia entre o governo e a guerrilha comunista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, cujas negociações em Cuba atravessam uma fase delicada. “Me preocupo neste momento para que o processo de paz na Colômbia não pare. Devo dizer: espero que vá adiante. Estamos sempre dispostos a ajudar. De tantos modos. Seria feio que não pudesse seguir adiante.”
Anticapitalismo
O pontífice disse que reconhece as críticas feitas por conservadores norte-americanos a seu discurso contrário ao capitalismo e afirmou ter vontade de dialogar com eles. “Ouvi que houve muita crítica vinda dos Estados Unidos. Não tive tempo de estudar bem isto, mas todas as críticas devem ser recebidas, estudadas para depois serem alvo de um diálogo.”
A declaração foi feita em resposta ao pronunciamento em missa feita na Bolívia. Nela, o pontífice chamou o capitalismo de “ditadura sutil” e defendeu “uma mudança de estruturas” mundial.
Depois do discurso, conservadores norte-americanos, alguns deles altos dirigentes católicos, chamaram as críticas do papa sobre o uso de combustíveis fósseis e o livre mercado “falhas e irresponsáveis”. Para os defensores do capitalismo, o desenvolvimento econômico neste sistema é o principal motivo para que milhares de pessoas tenham deixado a pobreza. (Folhapress)
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