Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de fevereiro de 2018
Um grupo formado por amigos próximos de Lula está percorrendo os gabinetes do STF (Supremo Tribunal Federal) para falar sobre o processo do ex-presidente, que terá habeas corpus julgado pela Corte.
Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, foi recebido por Gilmar Mendes nesta semana. Gilberto Carvalho esteve com Gilmar, Ricardo Lewandowski e Edson Fachin. O ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho também foi ao STF.
Além de darem testemunho sobre Lula, eles procuram demonstrar que o comportamento do PT em relação à Corte será diferente daquele adotado contra o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), de maior embate.
Cármen Lúcia, presidente do STF, não respondeu até a sexta (23) a nenhum pedido de audiência dos petistas.
Alguns dos mesmos interlocutores estiveram ainda com ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
E a expectativa de que Luiz Fux se declare impedido no julgamento do habeas corpus de Lula não deve ser confirmada. A chefe de gabinete do ministro é nora do advogado Sepúlveda Pertence, que representa o petista.
Fux só se declara impedido em casos de repercussão patrimonial (em que o advogado poderia ganhar um grande percentual da causa).
Crise
Em conversas recentes, ministros do Supremo admitiram que a prisão do ex-presidente Lula pode ser o estopim para uma crise generalizada no País.
De perfil pouco incisivo, Rosa Weber tornou-se o centro das atenções. Ela votou contra a prisão após a condenação em segunda instância no ano passado e, neste ano, quando o assunto voltou, fez mistério.
Desafio
Em janeiro, após três juízes do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) condenarem Lula pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dirigentes do PT desafiaram a Justiça a decretar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob ameaça de causar convulsão social. A pena foi aumentada dos nove anos e seis meses de reclusão determinados pelo juiz Sergio Moro em julho passado para 12 anos e um mês.
O senador Humberto Costa (PE) afirmou que não pagaria para ver a repercussão social em caso de detenção, em um momento de insatisfação com o governo Michel Temer.
“Uma parcela significativa da população deposita esperança no retorno de Lula para uma vida melhor. São imprevisíveis as consequências. Eu não pagaria para ver. Não sei o que pode acontecer”, afirmou o parlamentar, que participou em São Paulo da reunião do partido que confirmou o lançamento de Lula como pré-candidato a presidente.
Presidente do PT no Rio, o ex-prefeito Washington Quaquá disse que seria uma bravata prometer levar um milhão de pessoas às ruas em defesa do ex-presidente. Mas que seria muito mais fácil trabalhar por isso se Lula fosse preso.
“Atrevam-se a prender Lula”, afirmou. “Não queremos fazer revolução. Queremos fazer um grande acordo nacional. Mas, se prenderem o Lula, a democracia no Brasil, para nós, acabou”, completou o líder da sigla no Rio, na época.
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