Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de março de 2018
Dados do IDF (International Diabetes Federation) mostram que atualmente 14,25 milhões de brasileiros têm diabetes. A previsão é de que este número salte para 23,28 milhões em 2040. Um estudo inédito realizado no Reino Unido com 56.510 participantes revela que o diabetes dobra o risco de desenvolver catarata. A doença responde por 49% dos casos de cegueira tratável no Brasil.
Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, isso acontece porque os depósitos de glicemia nas paredes do cristalino e as oscilações glicêmicas aumentam a formação de radicais livres que levam ao envelhecimento precoce da lente do olho. Portanto, o controle do diabetes desacelera a formação da catarata.
Grupos de risco
O oftalmologista afirmou que muitas pessoas só descobrem o diabetes no consultório oftalmológico durante um exame de fundo do olho. Isso porque os vasos da retina sofrem alterações que indicam a doença. O médico explica que o diabetes é causado pela produção insuficiente no pâncreas de insulina, hormônio que faz a glicose penetrar nas células. Também pode ser causado por resistência à insulina que impede a absorção da glicose pelas células. Resultado: a glicemia fica acumulada no sangue.
Ele ressaltou que 90% dos casos de diabetes são do tipo 2, que é assintomático. Os fatores de risco são o envelhecimento, sobrepeso, colesterol alto, stress e sedentarismo. “Todos estão em ascensão no Brasil, progridem sem alarme e fazem metade dos diabéticos nem desconfiar que estão doentes”, comentou. Por isso, recomenda para quem já passou dos 40 anos e tem algum familiar próximo com diabetes fazer exame de sangue periodicamente. Esta simples prevenção pode fazer muita diferença na qualidade de vida.
Os sintomas do diabetes tipo 1 são claros: sede, aumento da micção, cansaço, perda súbita de peso e fome. Quanto antes for iniciado o tratamento, menor o estrago para toda a saúde.
Cirurgia melhora acompanhamento
Queiroz Neto disse que a catarata deixa a visão embaçada porque torna opaco o cristalino, lente interna do olho que responde pelo foco de imagens próximas e distantes. Quanto mais avança, maior é a dificuldade de enxergar, até a completa cegueira. O único tratamento é a cirurgia. A operação substitui o cristalino opaco por uma lente intraocular transparente. Em muitas pessoas, elimina a necessidade de usar óculos, inclusive de leitura.
“Os riscos da operação aumentam quanto mais avançada está a catarata. Isso porque impossibilita ao cirurgião enxergar o fundo do olho e o cristalino fica muito rígido, podendo ocasionar lesões na retina durante a extração”, explicou. Por isso, a cirurgia é indicada logo que a catarata começa atrapalhar as atividades cotidianas. Em diabéticos, permite acompanhar as alterações na retina e continuar enxergando perfeitamente bem. O segredo é a prevenção.
Outras doenças oculares
O oftalmologista salientou que o aumento da glicemia no sangue dificulta a circulação em todo o corpo, inclusive nos pequenos vasos do globo ocular. Isso faz com que além da catarata, aumente o risco de desenvolver glaucoma neovascular e retinopatia diabética, importantes causas de perda definitiva da visão. “Depois do diagnóstico, o padrão de tratamento é passar por consulta oftalmológica anual”, afirmou. Quando o oftalmologista descobre alterações no fundo do olho, observa, os intervalos das consultas são menores e variam conforme a gravidade de cada caso.
“A hiperglicemia também resseca o filme lacrimal e faz muitos diabéticos terem sensação de areia nos olhos, principalmente no calor que contribui com a maior evaporação da lágrima”, salientou. Uma dica do médico para diminuir o desconforto é beber bastante água. Quando a irritação persiste, indica consultar um oftalmologista.
Terapias
A boa notícia é que duas terapias de ponta para tratar alterações vasculares no fundo do olho hoje têm cobertura dos planos de saúde. Uma delas é a OCT (Tomografia de Coerência Óptica). Queiroz Neto ressalta que o exame permite a visualização detalhada da retina e do disco óptico. “É uma tecnologia fundamental para o bom acompanhamento do glaucoma neovascular e da retinopatia diabética”, afirmou. Mas só deve ser usada quando o paciente está livre da catarata, observa. A outra é a injeção intraocular com antiangiogênicos, medicação menos tóxica que a quimioterapia e a radioterapia indicadas para retinopatia diabética, conclui.
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