Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2018
Imagine dez alunos do primeiro ano do ensino fundamental, de 6 ou 7 anos de idade, que começaram neste fevereiro suas aulas. Quando crescerem, será que vão se tornar advogados, médicos, engenheiros, analistas de sistemas, nutricionistas? Pois saiba que, independentemente da profissão que você imaginar, provavelmente estará errado.
Dados do relatório sobre o futuro dos empregos do Fórum Econômico Mundial de 2016 estimam que 65% das crianças entrando atualmente na escola primária trabalharão em funções que ainda não existem. Devido a fatores como a evolução tecnológica – responsável por ferramentas como inteligência artificial, impressão 3D, big data, transporte autônomo e internet das coisas -, especialistas preveem que as mudanças no mundo produtivo serão profundas e acabarão com atividades atualmente consideradas essenciais. Além disso, outras, que não conseguimos imaginar sendo executadas de qualquer outra forma, não serão mais feitas por nós, humanos, e sim por robôs.
Mas muito antes de esses pequenos terem de se preocupar com carreira, salários e emprego, quem está entrando agora no mercado ou já atua nele há anos precisa se adaptar e se preparar para as mudanças mais iminentes do mundo produtivo. Por isso, instituições de ensino têm desenvolvido ou adaptado cursos de graduação, pós-graduação, MBA e outros, de olho na dinâmica do mercado e no que o público tem procurado.
A começar pelos temas: inovação, transformação digital, ciência de dados, direito voltado para a tecnologia, cidades inteligentes, gestão de startups, indústria 4.0. Tudo muito novo e, para algumas pessoas, ainda indecifrável. Mas não para a administradora Jéssica Barbosa, de 26 anos. Já com uma pós em auditoria interna e externa, ela acabou de se matricular em um novo curso, uma pós de ciência de dados e big data, pois prevê que em breve a ferramenta será útil em seu trabalho de auditoria – e acredita que dominar a área pode ser um diferencial para uma possível promoção. “A empresa vem se estruturando para usar a ciência de dados, então já estão procurando pessoas com esse conhecimento”, afirma. Segundo Jéssica, na instituição financeira em que trabalha, o big data tem potencial para ser aplicado de diversas formas, como para identificar mais precisamente o perfil de consumo do cliente. “Se a pessoa pesquisa na internet sobre casamento, ao identificar isso, o banco pode oferecer uma linha de crédito nesse segmento”, exemplifica.
De acordo com o coordenador de pós-graduação do UniBH, Esdras de Oliveira Eller, mudanças da chamada quarta revolução industrial têm acontecido com maior velocidade em empresas no exterior, onde já se veem projetos de automatização nas indústrias, inserção de robôs, entre outras iniciativas. Contudo, diz que já se vê no horizonte certa movimentação por aqui. “A expectativa é de que as transformações cheguem ao Brasil nos próximos anos, especialmente com a retomada do crescimento econômico, quando as empresas devem voltar a investir em ferramentas que tragam eficiência ao processo e aumento da produtividade”, explica. Por isso, cursos voltados para o entendimento e domínio de novas tecnologias, além da mudança na cultura e gestão dos negócios, têm sido bastante procurados.
E não apenas quem está iniciando sua trajetória no mercado de trabalho ou quem ocupa cargos mais operacionais precisa se preocupar com toda essa transformação. A alta liderança, mesmo que ocupando cargos mais estratégicos e com carreira mais consolidada, também precisa fazer parte do processo. “Os executivos devem enxergar além da realidade deles, da estrutura de gestão atual das empresas, que ainda opera no modelo analógico”, afirma o professor Hugo Tadeu, coordenador do núcleo de inovação e empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, que possui programas de transformação digital voltados para o alto escalão das empresas.
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