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Mundo A Casa Branca teve uma semana de caos com o anúncio de tarifas e a saída de uma assessora

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Rebaixamento da credencial de segurança de Kushner, genro de Trump, também teve repercussão. (Foto: Reprodução)

Há 13 meses no Salão Oval, e antes em uma carreira heterodoxa nos negócios, o presidente Donald Trump prosperou no caos, usando-o como um princípio organizador e até um instrumento de gestão. Hoje os custos desse caos estão ficando cada vez mais claros na equipe desmoralizada e no desarranjo político de uma Casa Branca errática.

A disfunção foi vivamente exibida na última quinta-feira (1º) quando o presidente adotou tarifas sobre as importações de aço e alumínio. Na véspera, o principal assessor econômico de Trump, Gary Cohn, advertiu o chefe de Gabinete, John Kelly, de que poderia renunciar caso o presidente seguisse em frente com o plano, segundo pessoas informadas da conversa. Cohn, um ex-presidente do Goldman Sachs, tinha feito um intenso lobby contra essas medidas.

Sua ameaça de deixar o governo ocorreu durante uma semana tumultuada em que Trump sofreu a partida de sua mais próxima assessora, Hope Hicks, e o efetivo rebaixamento de seu principal assessor e genro, Jared Kushner, que perdeu sua credencial de segurança “top secret”. Trump foi obrigado a negar, por meio de um assessor, que estava prestes a demitir seu assessor de segurança nacional, o tenente-general H. R. McMaster.

Kelly resumiu o clima predominante na Ala Oeste. “Deus me puniu”, brincou ele sobre sua transferência do Departamento de Segurança Interna para a Casa Branca durante uma conversa para marcar o 15º aniversário do departamento.

Quando os assessores da Casa Branca chegaram para trabalhar na quinta-feira (1º), não tinham uma ideia clara do que Trump diria sobre comércio. Ele havia convocado executivos do aço e do alumínio para uma reunião, mas quando a Casa Branca disse apenas que ele ouviria suas preocupações pareceu indicar que Cohn tinha evitado as tarifas.

No final de uma sessão de fotos, porém, quando um repórter perguntou a Trump sobre as medidas, ele confirmou que os EUA anunciariam na próxima semana a imposição de tarifas de longo prazo de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio. A Casa Branca ainda não terminou a revisão jurídica das medidas.

Ao tirar da manga uma guerra comercial, Trump abalou o mercado de ações, enfureceu os republicanos e deixou o futuro de Cohn em dúvida. Cohn, que quase saiu em 2017 depois da reação de Trump a uma manifestação racista em Charlottesville, na Virgínia, indicou que estava esperando para ver se o presidente seguirá em frente com as tarifas, segundo pessoas inteiradas de seu pensamento.

Armas

Foi o segundo dia seguido em que Trump pegou de surpresa os republicanos e seus próprios assessores. Na quarta (28), em outra sessão televisionada na Casa Branca, ele defendeu um controle de armas mais rígido defendido pelos democratas e pediu que os legisladores reanimem os regulamentos de segurança sobre armas que vão contra a Associação Nacional do Rifle (NRA na sigla em inglês) e a maioria de seu partido. Mas no final de quinta-feira (1º) ele parecia ter mudado de ideia de novo, desta vez após uma reunião com líderes da NRA que ele descreveu como “ótima”.

Trump está isolado e irritado, também, segundo outros amigos e assessores, enquanto segue em uma amarga disputa com seu ministro da Justiça e vê membros de sua família se chocarem com um chefe de Gabinete que ele recrutou para restabelecer uma aparência de ordem – tudo contra a sombra cada vez mais escura da investigação de suas ligações com a Rússia.

O efeito combinado está saindo caro.

O instinto de Trump durante esses momentos é voltar aos temas populistas que o levaram à Casa Branca, e é por isso que o anúncio que fez sobre comércio não causa grande surpresa. Trump tem poucas opiniões definidas sobre qualquer assunto, mas é constante em sua antipatia pelo livre comércio desde os anos 1980, quando publicou anúncios em jornais advertindo sobre os déficits dos EUA com o Japão – preocupação que foi transferida para a China nos últimos anos.

“A OMC foi um desastre para este país”, disse Trump na quinta, afirmando que a ascensão econômica da China coincidiu com sua entrada na Organização Mundial do Comércio. “Ela foi ótima para a China e péssima para os EUA, e ótima para outros países.”

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