Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2018
Os ministros da Saúde, Ricardo Barros (PP), e dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR), vão deixar o governo na próxima semana, respectivamente, nos dias 26 e 29 de março. A informação é do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
“Vamos ter, antes do dia 6, a saída de todos os ministros e queremos já, na medida do possível, ter a nomeação do próximo, para que saia um e entre o outro”, disse Padilha. Ele disse nessa quarta-feira, em entrevista no Palácio do Planalto que os dois, deputados licenciados, pediram ao presidente Michel Temer para deixar o governo nessas datas, a fim de disputar a eleição.
Padilha afirmou que a nomeação dos substitutos começou a ser debatida pelo presidente Michel Temer com os partidos aliados e bancadas parlamentares. “Nós começamos ontem a falar sobre ministros e ministérios, quem serem os possíveis substitutos. Antes eu falei com os que deixam os ministérios. É uma conversa embrionária”, disse Padilha, que acompanha a reforma ministerial.
Ricardo Barros deve disputar novamente o mandato de deputado federal pelo Paraná. Quintella Lessa, por sua vez, pode tentar uma vaga de senador ou a reeleição à Câmara dos Deputados por Alagoas. Por lei, todos os ministros devem se desincompatibilizar até o dia 7 de abril.
Hemobras
O presidente Michel Temer tem compromisso previsto em Pernambuco nesta sexta-feira. A agenda deve ser na Hemobras, fábrica de hemoderivados em Goiana, na Região Metropolitana do Recife, que foi alvo de polêmica por causa da negociação do ministro da Saúde, Ricardo Barros, para levar o produto com maior valor agregado para o Paraná, seu reduto eleitoral. A visita de Temer também é em meio ao racha no MDB do Estado, que teve o diretório dissolvido pela executiva nacional, em articulação do senador Romero Jucá, presidente do partido, para entregar o comando ao senador Fernando Bezerra Coelho, vice-líder do governo no Senado.
O Palácio do Planalto afirma que há uma previsão de agenda em Goiana, mas não confirma qual deve ser a atividade de Temer no Estado. No fim do ano passado, foram anunciados R$ 200 milhões para a Hemobras.
O imbróglio envolvendo a Hemobras começou no ano passado, quando Barros anunciou que estava negociando com a Octapharma a transferência da tecnologia de produção do fator VIII recombinante, medicamento usado no tratamento de hemofílicos, para o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Hoje, a Hemobras tem uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a Shire, que prevê a compra do recombinante e a transferência para que passe a ser produzido na planta de Goiana em 2023.
A articulação foi suspensa por intervenção do presidente Michel Temer (MDB), a pedido dos ministros pernambucanos e da bancada do Estado no Congresso.
Apesar disso, o ministério chegou a romper o acordo com a Shire unilateralmente, alegando ausência de investimentos. A empresa conseguiu, porém, uma decisão da 4ª Vara Cível do Distrito Federal mantendo o contrato. Acusando a pasta de não cumprir a decisão judicial, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir duas vezes o afastamento de Barros. A compra foi anunciada este mês, sob protestos do governo, que alegou estar pagando mais caro pelo medicamento da Hemobrás.
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