Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de abril de 2018
O voto de desempate do ministro Gilmar Mendes que tirou do juiz federal Sérgio Moro trechos do depoimento da Odebrecht que citam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolidou no PT uma espécie de “lua de mel” com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Até então criticado por petistas, Mendes passou a ser elogiado pelos seus votos com viés garantista.
“Gilmar Mendes mostra coerência em seus votos. É uma ironia hoje ele ter virado um consenso no PT”, disse ao blog um parlamentar petista da área jurídica.
A posição de Mendes já tinha sido elogiada durante o julgamento do habeas corpus de Lula recentemente. Mesmo com críticas à postura do PT de estimular a polarização na sociedade brasileira, o ministro deu um dos votos mais enfáticos em favor do habeas corpus.
Mas antes dessa fase atual, Gilmar Mendes era duramente criticado por petistas. Em março de 2016, foi de Mendes a liminar que suspendeu a nomeação de Lula para chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff. Em 2012, depois de um encontro Lula, o ministro do Supremo acusou o ex-presidente de fazer pressão para adiar o julgamento do mensalão.
“Isso faz parte do passado. Gilmar Mendes tem se mostrado muito firme em suas decisões. E olha que foi indicado pelo Fernando Henrique Cardoso. Já a maioria dos ministros indicados por Dilma e Lula frustrou as nossas expectativas”, reforçou um senador.
Partido preferido
A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 7 deste mês, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP), não alterou a preferência dos brasileiros pelo seu partido, o PT, segundo pesquisa Datafolha realizada de 11 a 13 de abril.
Conforme o levantamento, 20% dos entrevistados têm simpatia pelo partido – em janeiro, eram 19%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os demais partidos registram índices bem menores. Em segundo lugar, aparece o MDB, citado por 4% dos entrevistados; depois vêm PSDB (3%) e PDT e PSOL (1% cada). As demais siglas não pontuaram.
Desde 1989, o Datafolha realiza esse modelo de pesquisa. O maior grupo de entrevistados sempre declarou não ter preferência partidária. Nessa última sondagem, 62% deram essa resposta – eram 64% em janeiro deste ano.
O PT é o partido preferido dos brasileiros desde 1999. Teve o seu melhor desempenho em março de 2013, quando foi mencionado por 29% dos entrevistados. Nos anos seguintes, com os escândalos de corrupção nos governos petistas revelados pela Lava-Jato, a simpatia pelo partido desabou. O pior resultado nesse período veio em dezembro de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff, quando o partido teve 9% das menções.
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