Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de abril de 2018
O cardeal George Pell, tesoureiro do Vaticano (o terceiro cargo mais importante na hierarquia da Santa Sé), vai ser julgado por pelo menos duas acusações de abuso sexual, determinou a Justiça australiana.
Pell, de 76 anos, é a autoridade mais alta da Igreja Católica a ser acusado de abuso sexual. Ele, que na prática é o chefe das finanças do Vaticano, recebeu permissão do papa Francisco para retornar à Austrália para cuidar de sua defesa.
O cardeal é acusado de “ofensas sexuais históricas”, o que significa que elas ocorreram décadas atrás, mas os detalhes das queixas (incluindo o nome dos acusadores) não foram tornados públicos. Segundo a polícia, os casos são antigos, sendo que alguns aconteceram há mais de 40 anos.
Não está claro quando o julgamento vai ter início. Ainda serão realizadas pelo menos mais duas audiências para determinar quais provas serão aceitas e para marcar uma data. Segundo Judy Courtin, advogada que representa um grupo de supostas vítimas, ainda pode levar um ano para que o julgamento aconteça. Mas, de acordo com ela, a decisão desta terça-feira (1º na Austrália; 30 no Brasil) é um passo importante para os acusadores. “A verdade deles está sendo reconhecida.”
Robert Richter, advogado do religioso, afirmou no ano passado que havia provas em abundâncias que mostram que as acusações eram impossíveis.
Investigação
A investigação contra o religioso começou em 2012, quando o governo australiano criou uma comissão para investigar como a igreja lidou com denúncias de abuso sexual e pedofilia no século 20. Inicialmente, Pell foi questionado apenas por seu possível papel em acobertar os casos, mas não havia acusações diretas contra ele por crimes sexuais.
Em 2015, porém, uma pessoa — que não teve seu nome divulgado — fez uma denúncia à comissão acusando o religioso de abuso, dando início a uma investigação contra ele. Com isso, outras pessoas também procuraram a Justiça para acusarem Pell.
O papa Francisco pouco falou sobre o caso desde que surgiram as primeiras acusações contra o cardeal. Em 2016, ele disse que acompanharia com atenção a decisão dos tribunais. “Uma vez que a Justiça se pronuncie, eu irei falar.”
Desculpas
Em janeiro, o papa Francisco pediu desculpas por ter criticado vítimas de pedofilia no Chile que acusam o bispo de Osorno, Juan Barros, de 61 anos, de ter acobertado casos de abuso cometidos pelo padre Fernando Karadima, de 87.
Em Iquique (Chile), o líder católico dissera que não havia provas contra Barros e que ele estava sendo alvo de “calúnia”. “A palavra ‘prova’ me traiu. Fiz confusão: não queria falar ‘provas’, mas sim ‘evidências’. Há muita gente que sofreu abuso e não pode ter provas, ou as tem, mas sente vergonha e sofre em silêncio. Devo pedir desculpas, porque a palavra ‘prova’ feriu tantos abusados”, declarou o papa.
As frases de Francisco no Chile provocaram duras reações das vítimas do padre Karadima e até uma reprimenda pública do arcebispo de Boston (EUA), cardeal Sean O’Malley, que presidiu nos últimos anos uma comissão criada pelo pontífice para combater a pedofilia na Igreja.
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