Sexta-feira, 22 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de maio de 2018
Ao saber da declaração do ex-ministro Jaques Wagner de que o PT pode indicar um vice numa chapa de Ciro Gomes, a presidente Gleisi Hoffmann reagiu: “Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”. A informação é da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.
O PT pretende propor aos candidatos de centro-esquerda que defendam o indulto para Lula na campanha eleitoral. O único que prometeu o perdão judicial a ele até agora foi Guilherme Boulos, do PSOL. Esse deve ser um dos pontos centrais do discurso de campanha do partido, caso tenha candidato próprio: tirar Lula da cadeia para que possa concorrer em 2022.
E o ex-presidente tem reclamado da programação da TV aberta, a única a que tem acesso na sala em que está preso. Ele diz que não aguenta mais ver tanto programa religioso na tela. Lula afirma também que se recusa a ver telejornais.
Mais desgaste para Lula e Gleisi
As cartas na manga da Lava-Jato parecem não ter fim. Os procuradores responsáveis pela operação ainda esbravejavam nas redes sociais contra a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de retirar trechos da delação da Odebrecht das mãos do juiz Sérgio Moro quando começou a circular a notícia de que o ex-ministro Antonio Palocci está fechando a sua própria delação com a PF (Polícia Federal). Na segunda-feira, outra boa notícia para os partidários da investigação: o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, acusado de ser o operador do PT na estatal, também está em vias de fechar o seu acordo. Não bastasse, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou ao STF a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, seu marido (o ex-ministro Paulo Bernardo), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci e o empresário Marcelo Odebrecht pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia apresentada pela PGR na noite de segunda, os crimes começaram em 2010, quando a Construtora Odebrecht prometeu ao então presidente Lula a doação de 40 milhões de dólares (o equivalente a 64 milhões de reais) em troca de decisões políticas que lhe beneficiassem. O PT teria usado o dinheiro na campanha de Gleisi ao governo do Paraná em 2014. A denúncia está baseada nas delações do executivos da Odebrecht e a PGR alega ter “documentos apreendidos por ordem judicial, como planilhas e mensagens, além do afastamento de sigilos telefônicos e outras diligências policiais” que embasam as acusações.
Como contrapartida, os acusados teriam promovido o aumento da linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a Angola, por meio da assinatura, em junho de 2010, de um Protocolo de Entendimento entre os dois países. O termo seria referendado pelo Camex (Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior), que tinha Paulo Bernardo entre os integrantes. Como resultado, a Odebrecht receberia do governo angolano — que teve o limite de crédito ampliado para 1 bilhão de reais — parte dos valores conseguidos com financiamentos liberados pelo BNDES.
Parte do dinheiro teria sido repassada a Gleisi por meio de caixa 2 em 2014, por meio de uma doação não contabilizada da Odebrecht de 5 milhões de reais. “Com o objetivo de esconder o esquema, Gleisi Hoffmann teria declarado à Justiça Federal despesas inexistentes no valor de R$ 1,830 milhão. Os pagamentos foram feitos a empresas que, conforme revelaram as investigações, foram as destinatárias dos recursos repassados pela construtora. Essa dissimilação configura a prática de lavagem de dinheiro”, explicou a PGR em nota. A denúncia amplia o desgaste público do PT, que já lidava com dificuldades por conta das novas delações que podem ser fechadas no âmbito da Lava-Jato.
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