Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2018
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), anunciou que assumiu o compromisso de pautar projeto que cria política de preços mínimos do transporte rodoviário de cargas como parte de acordo para suspender a greve de caminhoneiros. Segundo o senador, o projeto da reoneração da folha de pagamentos votado na véspera pela Câmara dos Deputados que também zera as alíquotas de PIS/Cofins para o diesel não deve ser votado de imediato. Será aberta nova rodada de negociações e seu texto poderá ser alterado.
O presidente explicou que o projeto sobre o preço mínimo de cargas, parte da demanda de representantes dos caminhoneiros, encontra-se na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. Para ser levado ao plenário do Senado e conferir tramitação acelerada à proposta, explica o presidente, é necessária a assinatura do líder do governo na Casa, senador Romero Jucá (MDB-RR), que também consta como relator do projeto.
“O meu compromisso é pautar o PLC 121 (do preço mínimo de cargas) com a assinatura do líder para levar direto ao plenário para votar na semana que vem ou na outra”, disse a jornalistas.
“O projeto que veio da Câmara (da reoneração e da isenção do PIS/Cofins) vai se abrir um debate”, afirmou, acrescentando que o governo deve buscar alternativas, fontes e redução das alíquotas, sem descartar que elas sejam reduzidas pela metade.
Força
A decisão do governo de endurecer no tratamento com os grevistas não foi bem recebida pelos caminhoneiros que não aceitaram o acordo negociado. O acerto previa uma trégua de 15 dias na greve iniciada na segunda-feira “O governo vai provocar uma revolução”, disse o presidente Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Estado do Rio de Janeiro, Nélio Botelho, sobre a decisão do governo de colocar as Forças de Segurança para desobstruir as rodovias.
Temer disse que o governo atendeu as principais reivindicações dos caminhoneiros, que não cumpriram com a promessa de suspender a greve. “Esse deveria ter sido o resultado do diálogo. Muitos caminhoneiros estão fazendo sua parte, mas infelizmente uma minoria radical tem bloqueado estradas e impedido que muitos caminhoneiros levem adiante seu desejo de atender a população e fazer seu trabalho.”
A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), que assinou o acordo, divulgou nota informando que nenhuma entidade tem poder para acabar sozinha com a mobilização. “Sabemos que nenhuma pessoa ou entidade tem, sozinha, o poder de acabar com essa mobilização e isso sempre foi deixado muito claro para o governo.”
A paralisação não acabou, pois várias entidades de representação dos caminhoneiros não reconheceram a validade do acordo. “O documento com o governo só foi assinado para garantir que o governo manteria aquelas propostas caso a categoria as aceitasse. Nosso papel é o de levar as propostas da categoria para que cada grupo de manifestantes decida”, afirmou a CNTA em nota.
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