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Brasil Juiz da Lava-Jato diz que anotações de Marcelo Odebrecht são perturbadoras

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De acordo com Moro, “dissidentes PF” é um dos trechos mais preocupantes. (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato na primeira instância, classificou como “perturbador” o trecho das anotações cifradas encontradas pela PF (Polícia Federal) no telefone de Marcelo Odebrecht. Por causa da “gravidade” dos apontamentos, Moro deu o prazo de 48 horas para que os advogados do empreiteiro prestem esclarecimentos sobre as mensagens.

“O trecho mais perturbador é a referência à utilização de ‘dissidentes PF’ junto com o trecho ‘trabalhar para parar/anular’ a investigação. Sem embargo do direito da defesa de questionar juridicamente a investigação ou a persecução penal, a menção a ‘dissidentes PF’ coloca uma sombra sobre o significado da anotação. Outras referências como a ‘dossiê’, ‘blindar Tau’ e ‘expor grandes’ são igualmente preocupantes”, disse.

No despacho, o magistrado afirmou que não há indícios de que as mensagens eram destinadas aos seus defensores e que, por isso, os advogados não podem questionar a violação de sigilo legal. “Não é crível ademais que ele orientasse seus advogados ou recebesse orientação de seus advogados nesse sentido. De todo modo, ainda que assim não fosse, o sigilo profissional também não acobertaria o emprego de estratagemas de defesa ilícitos, por exemplo, a destruição de provas.”

Relatório da PF com base em mensagens extraídas do celular de Odebrecht revelaram o amplo leque de políticos com os quais ele tinha contato e seu esforço para utilizar siglas e mensagens codificadas para registrar ações. De acordo com o documento, ele lançou mão de uma estratégia de confrontar as investigações da Lava-Jato que contaria com “policiais federais dissidentes”, dupla postura perante a opinião pública, apoio estratégico de integrantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e ataques às apurações internas da Petrobras.

A PF avalia que o objetivo do empreiteiro buscava criar “obstáculos” e “cortinas de fumaça” contra a operação.

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