Quarta-feira, 27 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias Ex-secretário executivo do Ministério do Trabalho que está preso pode fazer delação premiada

Compartilhe esta notícia:

Ex-secretário de Relações do Trabalho Renato Araújo está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. (Foto: Divulgação/Fenam)

Os investigadores da Operação Registro Espúrio apostam em uma possível colaboração do ex-secretário de Relações do Trabalho Renato Araújo para expandir as apurações sobre o envolvimento de políticos no esquema de fraudes na liberação de registros sindicais no Ministério do Trabalho. Araújo está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde a primeira fase da operação, realizada em 30 de maio.

Embora considerem robustas as provas coletadas nas três fases da Registro Espúrio, que levou à demissão do então ministro do Trabalho, Helton Yomura, na quinta-feira, investigadores ouvidos pela reportagem do jornal O Estado de S.Paulo afirmaram que, como Araújo era o titular da Secretaria de Relações do Trabalho, responsável pela liberação dos registros sindicais, pode dar detalhes do esquema, apontar outros agentes políticos favorecidos pelo esquema e relatar como atuou em cada um dos casos com suspeita de fraude.

A defesa de Araújo ainda avalia os desdobramentos das investigações, mas vê a delação é uma possibilidade. Nenhuma negociação, no entanto, começou até a deflagração da terceira fase da operação, na quinta. No despacho em que autorizou a prisão de três pessoas, buscas no gabinete do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) e o afastamento de Yomura do cargo, o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), expôs a importância de Araújo no esquema criminoso investigado na Registro Espúrio.

Araújo criou expectativa de colaborar mais ativamente nas investigações quando deu o segundo depoimento, um dia após a primeira fase da operação. Ele afirmou que poderia trazer informações sobre o “envolvimento” de pessoas, incluindo o ex-ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS), desligado em dezembro da pasta para reassumir mandato de deputado federal. Nogueira não foi alvo da operação.

No depoimento, Araújo afirmou que também pretende prestar informações sobre centrais sindicais que “exercem fortíssima influência dentro do Ministério do Trabalho” e disse que “frequentemente são feitos pedidos para direcionar o resultado ou burlar a ordem cronológica de análise dos processos de registro sindical, nos quais tais entidades possuem interesse direto”.
A Registro Espúrio, atualmente, investiga possíveis fraudes na liberação de 190 registros sindicais.

Segundo a Polícia Federal, agentes políticos procuravam Araújo com o objetivo de ver seus interesses atendidos na Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho. “Os referidos agentes, conforme afirma a autoridade policial, utilizando-se das vantagens políticas dos respectivos cargos, submetiam suas demandas particulares ao já investigado Renato Araújo Júnior para que os registros sindicais de seus interesses obtivessem tratamento diferenciado no âmbito da Secretaria de Relações do Trabalho”, diz o ministro Edson Fachin em sua decisão.

Ainda no documento, Fachin cita conversas entre os alvos da investigação com Araújo. Em todas, o ex-secretario demonstra ser a pessoa procurada para atender a demandas de políticos na pasta. Um dos diálogos cita o senador emedebista Romero Jucá (RR). “Ainda no dia 18/5/2018, Renato envia mensagens sobre um processo do Sindicato dos Médicos de Roraima, protocolizado em 5/2017 informando que a diretoria vence em 31/12/2018 e que fora chamado pelo senador Romero Jucá para, possivelmente, tratar do assunto”, diz o trecho do relatório da PF citado por Fachin.

Defesas

A assessoria do senador Romero Jucá (MDB-RR) afirmou que ele é líder do governo e recebe várias pessoas do governo que solicitam audiência com ele. “A assessoria de imprensa, no entanto, não conseguiu confirmar o encontro”, diz a nota enviada.

Já o ex-ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira disse que seus advogados já estão preparando uma representação judicial contra Renato por calúnia e difamação.

Helton Yomura disse que adotou rigorosas providências institucionais para a garantia do interesse público, como a exoneração imediata de todos os servidores sob investigação, abertura de sindicância e processos administrativos para averiguação dos fatos.

Quanto à suspensão de suas funções no Ministério do Trabalho, todas as medidas jurídicas serão tomadas para possibilitar à turma do STF se manifestar sobre tal importante tema.

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) disse ao Broadcast Político, do Estadão, que não tem “atuação nenhuma” no Ministério do Trabalho. “Não tenho trabalho com o Ministério do Trabalho. Minha atuação é no Ministério da Agricultura, da Saúde, do Esporte e do Turismo. São os que eu trabalho. No (Ministério do) Trabalho não tenho atuação nenhuma. Não indiquei ninguém lá, não ajudei ninguém”, disse.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Homem é encontrado morto a tiros e com um saco na cabeça no bairro Humaitá, em Porto Alegre
Brasil ocupa a 79ª posição em ranking mundial sobre a corrupção
Pode te interessar