Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 26 de julho de 2018
O advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, um dos responsáveis pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na esfera eleitoral, disse que o petista nunca fez sequer uma pergunta sobre a possibilidade de substituição da sua candidatura à Presidência.
Segundo ele, existe a possibilidade de o imbróglio se estender até depois da eleição. “A não ser que ele disfarce muito bem, estou convencido de que a posição dele é clara de não só registrar a candidatura como de ir até o final. Ele nunca fez nenhuma pergunta sobre a substituição. Para mim ele nunca cogitou. Nessas interlocuções que tive nunca fiquei com dúvida em relação ao propósito dele”, disse.
Na última semana, depois que a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou ação do MBL (Movimento Brasil Livre) para antecipar a impugnação da candidatura de Lula, cresceu em setores do PT a impressão de que o ex-presidente não está disposto a indicar substituto e pode esticar a corda apara além da Justiça Eleitoral, levando o caso para o STF. Isso provocaria a inédita situação de um candidato a presidente preso, criando um cenário eleitoral de ainda mais dúvidas e instabilidade.
Segundo Pereira, caso o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decida barrar Lula com base na Lei da Ficha Limpa, o PT terá uma encruzilhada no dia 17 de setembro, quando termina o prazo para a troca de candidatos à Presidência.
Até essa data o partido vai ter que escolher entre substituir Lula ou recorrer ao STF. Na segunda hipótese, existe chance legal de o nome do petista, líder nas pesquisas, figurar nas urnas eletrônicas, mesmo preso. Em caso de vitória, a eleição estaria sub judice até a diplomação.
“Ele pode invocar o direito de ter o nome na urna como estes 145 prefeitos [que tiveram registros negados em 2016 mas conseguiram se eleger] e se ganhar a eleição até a diplomação, que só deve ocorrer em meados de dezembro, ele pode reverter a condenação”, disse o advogado.
Interlocutores dizem que Lula fica irritado quando confrontado com o assunto. Foi o que aconteceu em recente conversa com dirigentes do PCdoB. Eles falaram sobre a necessidade de Lula ser candidato e a impaciência do mundo político. Lula respondeu de forma ríspida, questionando se os aliados queriam legitimar uma eleição sem ele. “Essa discussão vai se estender, a não ser que o ex-presidente Lula recue, até o dia anterior à diplomação”, destacou Pereira.
Candidatura
Preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde 7 de abril, o ex-presidente ouviu de um interlocutor que esse é o cenário mais “realista”, e que os ministros do TSE têm sinalizado que não vão utilizar todo o prazo disponível para tomar uma decisão. Na conversa, a avaliação foi de que o atual momento político não permitiria apostar em um “cenário mais favorável”, e sim trabalhar com um quadro mais pessimista. A situação de Lula chegou a ser comparada com a de um “doente terminal”, que tem o direito de receber do médico um diagnóstico.
O PT já afirmou que vai registrar a candidatura de Lula somente no último dia do prazo legal, em 15 de agosto. O TSE tem até o dia 17 de setembro, a três semanas do primeiro turno, para julgar todos os pedidos de impugnação de candidatura. Se todos os prazos previstos na resolução da Justiça Eleitoral forem utilizados, a declaração de inelegibilidade de Lula deve acontecer somente próximo ao prazo de julgamento em plenário.
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