Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2018
A revista norte-americana Time publicou na edição desta semana um perfil do candidato do PSL, Jair Bolsonaro. De acordo com o periódico, o deputado fluminense cresceu na esteira da insatisfação popular no País. Ao compará-lo com o presidente americano Donald Trump, a revista diz que ele pode ser politicamente incorreto, mas Bolsonaro “vai além” ao defender torturadores e ditadores.
“Jair Bolsonaro ama Trump, detesta gays e admira autocratas. Ele pode ser o próximo presidente do Brasil”, diz o título da matéria. “Jair Bolsonaro pode ser o Trump do Brasil”, acrescenta.
De acordo com a Time, o “atoleiro” político que o País mergulhou com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, que tirou as principais lideranças políticas do País da disputa direta pelo Planalto, e o “desespero” da população com as opções eleitorais são pontos que explicam o crescimento de Bolsonaro, líder das pesquisas eleitorais em cenários sem o nome do ex-presidente Lula Inácio Lula da Silva.
A reportagem diz que esse sentimento de “raiva” agravado com a pior recessão econômica da história faz com que sete de cada 10 brasileiros não tenha confiança em nenhum partido político. “Isso permitiu que Bolsonaro assumisse ‘o manto de um homem forte de fora’ que pode romper com as atuais forças políticas”.
A Time faz críticas as defesas revisionistas de Bolsonaro, que diz que o regime militar do Brasil não era uma ditadura e sugere que não houve censura à imprensa. Assim como relativiza as mortes por agentes públicos durante a ditadura. A reportagem, que entrevistou Bolsonaro, usa como exemplo a defesa do candidato do PSL ao ditador chileno Augusto Pinochet, que matou 2.279 adversários: “Fez o que tinha que ser feito”, diz Bolsonaro. “O Chile seguiu em frente. Tanto que Pinochet sempre foi respeitado lá”.
A reportagem mostra ainda que o defesa do endurecimento das políticas de Segurança Pública e a pauta conservadora de costume como um agenda de Bolsonaro que encontra ressonância entre boa parte dos eleitorado.
A revista diz que Bolsonaro sente orgulho do regime militar e de tempos que os brasileiros preferem esquecer, e que ele se apresenta sobre o manto homem de forte, de fora, um “outsider”, contra a corrupção, a violência e a mídia, e que os jornais o apelidaram de “Trump dos trópicos”.
Cita que ele também pretende retirar o Brasil do acordo de Paris e tem ideias sobre impostos, comércio e desburocratização inspiradas em Trump, e que ele próprio gosta da comparação, embora diga que não é tão rico quanto.
É aí que a reportagem diz que Trump pode ser politicamente incorreto, mas que Bolsonaro vai muito, muito além, ao defender o uso desenfreado da violência pelo Estado, colocar a homossexualidade equacionada com a pedofilia e fazer defesas de práticas da ditadura chilena, assim como do controverso presidente filipino Rodrigo Duterte.
A reportagem cita ainda o histórico de declarações polêmicas relacionadas a gays, minorias raciais e mulheres, incluindo o episódio com a deputada Maria do Rosário.
O texto diz ainda que, mesmo após décadas de ostracismo político, ele agora é cortejado como forte candidato em Brasília, festejado pelas estradas por onde passa.
“Bolsonaro é resistente a mudanças. Suas opiniões e suas táticas ultrajantes o sustentaram por mais de três décadas e agora o levam para o cargo mais alto do País. Junto com os retratos dos ex-generais, seus aposentos no Congresso são decorados com mobília militar. ‘Sou capitão do exército’, disse ele a jornalistas em 2017. ‘Minha especialidade é matar.'”, termina a reportagem da Time.
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