Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de outubro de 2018
Jair Bolsonaro (PSL), deputado do baixo clero, tornou-se líder nas pesquisas mesmo sem tempo na TV e apostando nas redes sociais.
Bolsonaro avisou aos colegas da bancada da bala que disputaria a Presidência assim que iniciou seu sétimo mandato na Câmara, em 2015. A notícia foi recebida com descrédito.
Dilma Rousseff acabara de ser reeleita na disputa mais acirrada da história e Aécio Neves, embora derrotado, obtivera 48% dos votos.
Os colegas não enxergavam espaço para o avanço de um candidato fora da polarização PT-PSDB, ainda mais de um deputado do baixo clero com discurso estridente e ultraconservador.
“Tentei desestimulá-lo”, diz o deputado Alberto Fraga, que o conheceu na Escola de Educação Física do Exército, nos anos 80. Bolsonaro era o “Cavalão”, pelo vigor nas corridas.
O presidenciável não ligou para as advertências de que estava sonhando alto e de que deveria tentar o Senado ou o governo do Rio. “Não tem volta, se tiver 10% [dos votos] está bom demais”, respondeu.
À época, havia tensão no Congresso. A Lava-Jato chegava nos políticos e o PP, seu partido, era dos mais ameaçados.
Em 2016, Bolsonaro migrou para o PSC, onde foi recebido como pré-candidato à Presidência. “O direcionamento será para a direita”, discursou.
Nascido em 21 de março de 1955 em Glicério (SP), Jair Messias Bolsonaro começou a trilhar esse caminho na adolescência, quando militares procuravam o guerrilheiro Carlos Lamarca no Vale do Ribeira (SP), onde sua família morava.
Aos 15 anos, ofereceu ajuda aos soldados para indicar os melhores caminhos pela mata. Flávio Bolsonaro diz que esse contato mudou a vida do pai. Dois anos depois, ingressou nas Forças Armadas para servir em uma carreira marcada por alguns atos de bravura e polêmicas.
Chegou a ser preso por 15 dias após escrever um artigo em 1986 na Veja reclamando dos salários. Um ano depois, a revista relatou que ele pretendia explodir bombas para pressionar o comando militar. Bolsonaro refuta a história.
O caso foi arquivado pela Justiça Militar em 1988, mas, diante da informação de que haveria outro conselho militar, decidiu se afastar do Exército para disputar e ganhar a eleição para vereador no Rio.
Em sua trajetória política, caracterizou-se pelo discurso linha-dura contra o crime e em favor do resgate da moralidade, embora tenha no currículo casos de nepotismo, de funcionário fantasma no gabinete e de recebimento de auxílio moradia mesmo tendo imóvel próprio em Brasília.
Se em 1990 devolveu 5.000 cartões de Natal que a Câmara Municipal lhe ofertara para enviar aos eleitores, em 1999 empregava o seu então sogro e a cunhada no gabinete do Congresso. “A Ana Cristina é minha companheira, não somos casados. Portanto, não são meus parentes”, justificou na ocasião.
Ana Cristina é a ex-mulher que, na separação, em 2008, afirmou que ele a ameaçara de morte e que furtara um cofre com joias. “Falei inverdades, estava magoada”, diz hoje.
A contundência nos posicionamentos e a agressividade na argumentação também fazem parte da sua biografia. Já defendeu o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique, a tortura e o fechamento do Congresso. “Daria o golpe no mesmo dia [que ganhasse a Presidência]”, disse em 1999.
Outro rompante ocorreu no impeachment de Dilma, na Câmara, ocasião que os amigos imaginavam como o marco inicial da sua candidatura.
Sua assessoria preparara-lhe um texto no qual exaltaria os valores cívicos e a nação. Na hora H, após ouvir tributos a Lamarca, mudou de ideia.
Parabenizou Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, hoje presidiário, citou Deus e a inocência das crianças e disse que votava pela memória do coronel Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi paulista entre 1970 e 1974, no auge da repressão. “[Era] o pavor de Dilma”, disse.
Aliados afirmam que as declarações beligerantes refletem um temperamento explosivo. Quando provocado, fala o que pensa e um pouco mais.
Para eles, os jornalistas levam tudo ao pé da letra, como na ocasião em que disse a uma deputada que “jamais ia estuprar você porque não merece”. Ou quando afirmou que não empregaria mulher com o mesmo salário de homem.
Hospitalizado em boa parte da disputa e com pouquíssimo tempo no horário eleitoral, o nanico da TV tornou-se, com a ajuda do celular e de um exército de voluntários, um gigante na internet.
Seu desempenho surpreendente nas pesquisas mudou a forma com a qual lida com o risco de derrota. Lá atrás, quando amigos, pessimistas, perguntavam o que faria se perdesse, brincava que iria “tomar água de coco na praia”.
Agora, repete que as ruas estão com ele e que, diante de uma possível fraude, não aceitará “passivamente” uma vitória “do outro lado”. A sua aposta é a de que vence no primeiro turno.
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