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Brasil “Fiz e farei de novo”, diz deputado que apoiou rede derrubada pelo Facebook

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O deputado delegado, Fernando Francischini. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O delegado Francischini (PSL), eleito deputado estadual nas eleições 2018, divulgou vídeo em seu Facebook em defesa à rede RFA (Raposo Fernandes Associados). O parlamentar já usou sua cota partidária para bancar notícias nos sites do grupo – todas elas positivas a ele. “Fiz licitamente, abertamente, e farei de novo. Estão ouvindo? Os esquerdinhas dos jornalistas espalhados por aí. Vou fazer de novo. Vou apoiar todas as páginas de direita que produzam conteúdo contra a vagabundagem do PT, contra a bandidagem que assaltou o nosso País.”

Ele disse que faria um pedido para o Facebook para restabelecer as páginas excluídas. “Se são um grupo de jovens juntos que montaram uma empresa e faziam disso a sua atividade principal, que mal tem isso num País que está cheio de ladrão, cheio de bandido, cheio de vagabundo roubando dinheiro público? Sem vergonhice o que estão fazendo.”

O Facebook removeu na segunda-feira 68 páginas e 43 perfis ligados a uma só empresa que produzia conteúdo a favor de Bolsonaro, a Rede RFA. O motivo da exclusão não é o conteúdo publicado por essas páginas, mas a forma como a rede foi estruturada, com perfis falsos e divulgação de spam. Uma investigação do Estado em parceria com a ONG internacional Avaaz revelou, no dia 12, que esse grupo era o principal articulador de notícias positivas ao Bolsonaro nas redes sociais, além de espalhar boatos – eles foram um dos responsáveis por divulgar informações não confirmadas de que as urnas teriam sido fraudadas no dia da eleição.

Francischini admitiu que usava o partido para produzir conteúdo de direita, mas que isso começou antes da eleição. “Isso é fake news, criticar (a esquerda)?”, reclamou. “Temos de dar trabalho para esses jovens que estão começando e não foram doutrinados para serem petistas e socialistas em sala de aula.”

O candidato foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa, mas não retornou até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.

Entenda o caso

Segundo o Facebook, a remoção de 68 páginas e 43 perfis – que pertencem a um mesmo grupo chamado Raposo Fernandes Associados – ocorreu por violação das políticas de autenticidade e spam, ao criar endereços falsos e múltiplas contas com os mesmos nomes para administrar os grupos. O conteúdo compartilhado pelas páginas não teve influência sobre a decisão do Facebook.

Num período de apenas 30 dias, os endereços alcançaram 12,6 milhões de interações no Facebook – ou seja, o total de reações a postagens, comentários e compartilhamentos –, ante 1,1 milhão do jogador Neymar e 442,5 mil da cantora americana Madonna.

“Autenticidade é algo fundamental para o Facebook porque acreditamos que as pessoas agem com mais responsabilidade quando usam suas identidades reais no mundo online”, diz nota divulgada pelo Facebook. A seguir, a empresa afirma exigir “que as pessoas usem seus nomes reais e também proibimos spam, uma tática geralmente usada por pessoas mal intencionadas para aumentar de maneira artificial a distribuição de conteúdo com o objetivo de conseguir ganhos financeiros”.

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