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Mundo O Brasil avalia renegociar dívidas da Venezuela para ajudar o líder opositor Juan Guaidó

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O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, teve um “erro de cálculo” e se equivocou no ‘timing’ para anunciar o apoio dos militares. (Foto: Reprodução)

Em uma ofensiva diplomática contra Nicolás Maduro, o governo de Jair Bolsonaro avalia renegociar a dívida bilionária da Venezuela com o Brasil para dar fôlego ao líder opositor Juan Guaidó, caso ocorra uma transição no país vizinho e ele assuma o poder.

A proposta de reescalonamento da dívida dos venezuelanos é um dos itens de um pacote que auxiliares de Bolsonaro vêm discutindo para apoiar Guaidó, que se declarou presidente interino do país vizinho. Também estão nessa lista uma ação concreta para acelerar a liberação de programas de auxílio financeiro nos organismos em que o Brasil tem influência, como FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco Mundial e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

A ideia é facilitar a reinserção na comunidade internacional da Venezuela, que hoje vive praticamente isolada. Se Guaidó se viabilizar como presidente, o Brasil deve fazer gestões para garantir à nova administração um rápido acesso à liquidez, permitindo que Caracas honre compromissos atrasados.

A reestruturação da dívida que os venezuelanos contraíram no Brasil com o BNDES e com outras instituições financeiras é ponto central nessa estratégia. O presidente Nicolás Maduro chegou a fazer uma proposta, no final de dezembro do ano passado, de reescalonamento dessa dívida, que soma US$ 795 milhões.

Apesar da oferta permitir o recebimento de débitos hoje em default, ela foi desconsiderada pelo Brasil, entre outros motivos, por razões técnicas apontadas pelo Banco Central e pelo BNDES. O banco estatal foi o principal financiador das exportações à Venezuela.

Com a mudança de governo em Brasília, Bolsonaro endureceu ainda mais o tom com Caracas. O Palácio do Planalto não considera legítima a presidência de Maduro e reconheceu Guaidó como o real mandatário do país. Dessa forma, a orientação dada aos negociadores brasileiros é não aceitar qualquer proposta que venha de Maduro. O cenário muda se o regime chavista cair e Guaidó virar presidente, confirmam auxiliares de Bolsonaro.

A oferta feita por Maduro em dezembro dá uma dimensão do alívio financeiro que a reestruturação da dívida com o Brasil representaria para Caracas. O líder chavista pediu para pagar, nos próximos três anos, um valor que é US$ 157 milhões inferior às parcelas do contrato inicial para o período. A Venezuela prometia compensar as perdas nas parcelas que vencem a partir de 2022, coincidentemente último ano do mandato de Bolsonaro.

O novo calendário proposto pelos venezuelanos na ocasião foi considerado pouco crível pelo Brasil, já que se baseava em uma forte recuperação da capacidade de pagamento do país vizinho a partir de 2020. O BNDES foi contra a oferta porque, como as linhas de crédito são lastreadas pelo Fundo de Garantia às Exportações, o banco está sendo ressarcido pelo Tesouro.

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