Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de fevereiro de 2019
Ministros e aliados não escondem a perplexidade com a condução pelo presidente Jair Bolsonaro do caso do ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência). Nos últimos dias, reportagens do jornal Folha de S.Paulo mostraram casos de suspeita de repasses do fundo partidário para candidatos “laranjas” do PSL, partido do presidente, comandado por Bebianno durante as eleições.
Na terça-feira (12), o jornal “O Globo” publicou uma declaração em que Bebianno diz que não é pivô de uma crise e que teria falado naquele dia três vezes com o presidente. Um dos filhos de Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro, foi às redes sociais desmentir Bebianno.
Integrantes da ala militar do governo avaliam que é um erro fazer uma fritura em praça pública. Eles se referem à ação conduzida por Carlos e que, segundo eles, foi endossada pelo próprio Jair Bolsonaro. “Se quiser tirar Bebianno ou qualquer ministro, há formas menos traumáticas”, disse um integrante do governo Bolsonaro.
A avaliação entre os próprios aliados é que o caso tem potencial explosivo, pela sinalização que o presidente dá em relação ao tratamento aos seus aliados mais próximos. “Se Bolsonaro faz isso com um apoiador desde a primeira hora de sua campanha, imagine o que ele não pode fazer com qualquer um de nós”, comentou um influente dirigente partidário.
Independentemente das investigações que serão feitas em relação à acusação de uso de laranjas para distribuir fundo partidário nas eleições, integrantes do próprio PSL se mostram rachados sobre o caso.
Isso porque Bebianno tem uma boa imagem junto a setores da bancada. O que mais impressiona é o fato de o presidente Bolsonaro estar avalizando todas as ações do filho Carlos, para desestabilizar e inviabilizar de forma permanente a continuação de Bebbiano no governo.
No caso do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, contra quem também pesam suspeita de uso de “laranjas” para receber recursos do fundo partidário, o tratamento foi completamente diferente por parte da família Bolsonaro.
Há o reconhecimento no núcleo mais próximo do presidente que a situação de Bebianno ficou insustentável. Mas que, diante da resistência do ministro em deixar o cargo, Bolsonaro terá que assumir o desgaste de demiti-lo, depois de um longo processo de fritura.
Desabafo
Bebianno fez um desabafo com amigos mais próximos na noite de quarta (13), pouco depois de Jair Bolsonaro afirmar à TV Record que ele pode “voltar às origens”, ou seja, sair do governo.
Bebianno disse que está triste e sem palavras para definir o tamanho da decepção que sente. O ministro foi um dos primeiros a se engajar na campanha eleitoral do agora presidente, quando, segundo seus amigos, nem mesmo o próprio Bolsonaro acreditava nela.
A relação dele com os filhos do então candidato, no entanto, sempre foi conturbada. Em especial com o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), que nunca escondeu seu desapreço pelo ministro.
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