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Brasil Acuado, o ministro Gustavo Bebianno recorreu ao ministro da Economia e ao presidente da Câmara dos Deputados para se manter no cargo

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Suspeitas atingiram o ministro Gustavo Bebianno, que presidiu o PSL durante a disputa e chefia a Secretaria-Geral da Presidência desde janeiro. (Foto: Agência Brasil)

Em meio à crise das candidaturas-laranjas do PSL, reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, recorreu ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para traçar uma estratégia de sobrevivência no governo federal.

Ele está no centro de uma série de reportagens mostrando que a legenda do presidente Jair Bolsonaro, sob o comando interino de Bebianno durante a campanha eleitoral, utilizou um esquema de direcionamento de verbas públicas para duas candidaturas duvidosas em Minas Gerais e Pernambuco.

No dia em que foi acusado de ter mentido pelo presidente e pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), Bebianno se aconselhou com Maia em uma conversa que entrou pela madrugada. Advogado, o chefe da Secretaria-Geral também recorreu a advogados e integrantes do Judiciário para traçar a melhor estratégia para se blindar no caso.

Da série de encontros, que contou com a participação de amigos próximos, ficou definido que a saída se daria por meio da pauta econômica. Aliados do presidente entendem que hoje o principal fiador do governo é o ministro da Economia, Paulo Guedes, com sua agenda de reformas e privatizações. Com isso, qualquer crise do campo político pode ameaçar a votação de projetos importantes, como a reforma da Previdência, e inviabilizar o futuro da gestão Bolsonaro.

Após o encontro, ficou definido que Maia procuraria Guedes para levar a mensagem de que a demissão de Bebianno e o prolongamento da crise podem prejudicar o calendário da reforma, que será apresentada na semana que vem ao Congresso.

Maia ligou para Guedes para passar a mensagem e deu declarações públicas em favor de Bebianno. Guedes e Bebianno são os principais interlocutores do governo com o presidente da Câmara, que não tem uma relação de proximidade com o ministro-chefe Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O presidente da Casa chegou a agradecer publicamente o ministro após sua reeleição.

Eles lembram ainda que o governo de Michel Temer viu sua proposta de reforma naufragar por duas crises políticas. A primeira delas foi um desentendimento público entre os ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Marcelo Calero (Cultura). Num segundo momento, a reforma foi parada no Congresso com a delação da JBS, na qual o próprio Temer foi alvo de gravações do empresário e delator Joesley Batista.

Em paralelo a essa movimentação, os militares do Palácio do Planalto também trabalham para conter a crise que teve como pivô um dos filhos do presidente. Os generais que cercam Bolsonaro ficaram incomodados com a forma como o presidente se referiu publicamente ao ministro e veem no ato um sinal de deslealdade, o que é mal visto no meio militar.

Em viagem a Teresina, Maia elogiou Bebianno: “O ministro é um quadro que tem demonstrado capacidade muito positiva de articulação junto com o ministro Onyx. Agora, a decisão dele continuar ou não no governo é um problema do Executivo. Ele tem bom trânsito comigo e com todos os líderes da Câmara”.

Entenda o caso

Uma reportagem da “Folha” no último domingo revelou que o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata-laranja em Pernambuco. Ela recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público durante a campanha de 2018, dinheiro liberado por Bebianno.

Maria de Lourdes Paixão, 68 anos, oficialmente concorreu a deputada federal e obteve apenas 274 votos, mas foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o País, mais até que o então presidenciável Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), que recebeu 1,079 milhão de votos.

O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição. Na época, o hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Bolsonaro, com foco em discurso de ética e combate à corrupção.

Apesar de ser uma das campeãs de verba pública do PSL, Lourdes teve uma votação que representa um indicativo de candidatura de fachada, em que há simulação de atos de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos. A candidatura laranja virou alvo da Polícia Federal, da Procuradoria e da Polícia Civil do estado.

Depois, a “Folha” revelou ainda que Bebianno liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada – sem maquinário para impressões em massa.

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