Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de abril de 2019
Depois de se reunir com a cúpula de seis partidos, o presidente Jair Bolsonaro indicou que não investirá na construção de uma base aliada formal, e sim no apoio fluido de parlamentares em torno de determinados projetos. Trata-se de uma nova tentativa de formato de aliança depois do fracasso do modelo sustentado pelas bancadas temáticas, como a evangélica e a ruralista.
No início do mandato, o presidente apostava nessa estratégia, em vez da negociação com lideranças partidárias. As bancadas temáticas, porém, não franquearam apoio automático à reforma da Previdência, mesmo tendo sido contempladas com ministérios. “A nossa base é diferente do que foi feito no passado”, disse o presidente, ao discursar em um evento no Palácio do Planalto. “Ninguém fechou questão de que é da base, que vai apoiar, mas a Previdência é quase uma unanimidade com esses partidos que estiveram comigo.”
Na última quinta-feira (04), o presidente recebeu no Planalto os presidentes de PRB, PSD, DEM, PP, PSDB e MDB e pediu apoio para a proposta enviada ao Congresso em fevereiro. Outros seis dirigentes partidários vão se reunir com Bolsonaro esta semana: Podemos, PR, PSL, Novo, Avante e Solidariedade.
“O que tenho ouvido dos partidos é que, a cada matéria a ser votada, haverá um entendimento. Não haverá nenhum alinhamento automático ao governo federal”, disse Bolsonaro. O presidente tem negado que haja uma aproximação maior com o DEM, que tem três ministros no governo – Onyx [Casa Civil], Luiz Henrique Mandetta [Saúde] e Tereza Cristina [Agricultura] –, além de comandar a Câmara [Rodrigo Maia] e o Senado [Davi Alcolumbre].
A estratégia é vista com ceticismo por parlamentares, que temem desgaste político a cada projeto apresentado. “O governo precisa construir pontes para que venha a ter outras vitórias mais para a frente, pois a reforma da Previdência é só a primeira das reformas”, disse Alcolumbre, em evento que reuniu empresários em Campos do Jordão (SP).
Pesquisa
Bolsonaro afirmou neste domingo (07) que não vai “perder tempo” em se manifestar sobre a pesquisa do Datafolha que registra a pior avaliação após três meses de governo entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde a redemocratização de 1985.
“Datafolha? Não vou perder tempo para comentar pesquisa do Datafolha, que diz que eu ia perder para todo mundo no segundo turno”, afirmou Bolsonaro, ao ser questionado pela reportagem da Folha na saída do Palácio do Alvorada. “Tem um item lá de que Lula e Dilma são mais inteligentes do que eu. Valeu, Datafolha”, disse o presidente, que compartilhou em redes sociais uma foto de gráficos da pesquisa, publicada na edição deste domingo do jornal Folha de S.Paulo.
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