Domingo, 18 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de junho de 2019
A psicóloga Rozangela Alves Justino, uma das autoras da ação que liberou a “cura gay” no país em 2017, anunciou a candidatura em uma chapa ao Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão responsável por regulamentar a profissão no Brasil. As informações são do jornal O Globo.
A apresentação foi feita no fim de semana, durante o 10º Congresso Nacional de Psicologia, em Brasília, e foi acompanhada de protestos. No lançamento da chapa, não ficou definido qual cargo Justino ocupará caso a chapa vença.
Assim que Justino começou a falar para divulgar a candidatura, os psicólogos que participavam do congresso viraram de costas de punho erguido. Alguns deles seguravam bandeiras de arco-íris, símbolo do movimento LGBTI.
Em seu discurso, a psicóloga, que já foi punida em 2009 pela terapia de “reversão sexual”, criticou a postura dos manifestantes e afirmou que “a psicologia está desacreditada pelo povo brasileiro”, que consideram a prática uma “política partidária e não científica”.
“O Brasil já não mais comporta uma psicologia travestida de Direitos Humanos. Nós queremos no Movimento Psicólogos em Ação (o nome de sua chapa) uma política que respeite o ser humano de verdade”, disse, vaiada em seguida pelos participantes do congresso.
Além da chapa de Justino, outros quatro grupos apresentaram candidatura para as eleições que acontecem em agosto deste ano. São eles: Frente em defesa da Psicologia Brasileira, Fortalecer a Profissão, Renovação da Psicologia e Avançar a profissão no Brasil.
Em setembro de 2018, o juiz Waldemar Claudio de Carvalho julgou provisoriamente uma ação da qual Justino foi uma das autoras e permitiu psicólogos a tratarem gays e lésbicas como doentes, em terapias de reversão sexual, sem sofrerem censura por parte dos conselhos de classe. Esse tipo de tratamento é proibido pelo CFP desde 1999.
Três meses depois, na decisão final, Carvalho recuou e tirou do documento o trecho que permitia expressamente a possibilidade de atendimento com a finalidade de “(re)orientação sexual”. O magistrado, no entanto, manteve o entendimento que permitia psicólogos de fazer atendimentos a homossexuais insatisfeitos com a própria sexualidade, com o propósito de investigação científica.
Em abril deste ano, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia concedeu uma liminar cassando a decisão do juiz Waldemar Claudio de Carvalho, impedindo a prática da “cura gay”.
Desde 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deixou de classificar a homossexualidade como patologia e a retirou da Classificação Internacional de Doenças (CID).
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